Assembleia Municipal de Lisboa
17ª Sessão extraordinária da AML
Moção do PSD que questiona António Costa rejeitada
04-06-2014 AYMN // ROC, LUSA
3 de Junho 2014

A moção apresentada pelo PSD na Assembleia Municipal de Lisboa, que questiona o presidente da câmara sobre a compatibilidade desta função com a liderança do PS, foi rejeitada, com os votos contra do PS, PCP, BE, PEV, PAN e deputados independentes, tendo apenas votos favoráveis do PSD.
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O documento levado hoje à sessão pelo líder da bancada municipal do PSD, Sérgio de Azevedo, contou com ainda com a abstenção do Movimento Partido da Terra (MPT), do CDS-PP e do Parque das Nações por Nós (PNPN) tendo apenas votos favoráveis do PSD.

Através da moção, o PSD questiona o socialista António Costa se “entende que o executivo tem legitimidade para executar o seu programa se ele sair” do executivo, perguntando também o que mudou entre os anos de 2011 e 2013, altura em que o actual presidente do município disse ser incompatível desempenhar esta função e ser líder do PS, explicou à Lusa esta manhã o deputado municipal Sérgio de Azevedo.

Com António Costa ausente, o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, respondeu à moção referindo que “a questão não tem relevância nem oportunidade e é incluir-se na vida interna do PS e na forma como o partido se organiza”.

Fernando Medina acrescentou que a moção foi apresentada “fora de tempo” e que “não há eleições marcadas no PS” nem eleições legislativas, classificando assim o documento como “jogo político”.

“O executivo que está em funções não só tem legitimidade e obrigação de cumprir contrato com lisboetas como o fará de forma exemplar, gerindo com rigor e prudência”, salientou.

Modesto Navarro, do PCP, afirmou que “o PSD está preocupado com o destino de António Costa, mas devia estar preocupado com a política para Lisboa que tem ajudado” o PS a concretizar.

“Os problemas de Lisboa resultam da destruição do serviço público”, apontou.

Pelo Bloco de Esquerda, interveio o deputado Ricardo Robles, dizendo ser “estranho e contraditório que o PSD venha agora apelar a uma clarificação e a um impulso para que Costa abandone a presidência”.

Segundo o bloquista, esta proposta é “curiosa” e reflecte as “guerrilhas internas entre o PS e o PSD”.

Na moção, a que a Lusa teve acesso, lê-se que Lisboa tem “desde as últimas eleições europeias um presidente a prazo”, facto que “o PSD não aceita”.

António Costa, que foi eleito pela primeira vez na capital nas intercalares de 2007 e foi reeleito em 2009 e 2013, anunciou no final de maio, depois das eleições europeias, que está disponível para liderar o Partido Socialista, justificando a decisão com a necessidade de garantir que das próximas legislativas resulte “uma solução de Governo forte”.