Assembleia Municipal de Lisboa
*
venda ambulante de perús na Av da Liberdade, 1891
venda ambulante de perús na Av da Liberdade, 1891
30ª Sessão Ordinária - 17 de Junho
"Mega Piquenique vai atrair meio milhão de pessoas à cidade"
17-06-2014 MCL/AYMN // ZO, Lusa
afirma vereador das Estruturas Verdes durante a sessão da AML

O Mega Piquenique que se realiza este fim de semana na Avenida da Liberdade, em Lisboa, deverá atrair cerca de meio milhão de pessoas, transformando-se no “maior evento da cidade”, disse hoje o vereador das Estruturas Verdes durante a sessão da AML.

“Vai trazer meio milhão de pessoas, entre as quais deputados da Comissão Europeia que querem replicar este evento em outras cidades”, disse José Sá Fernandes à agência Lusa.

Questionado sobre o evento na Assembleia Municipal de Lisboa, o presidente da câmara, António Costa, afirmou que pretende "continuar a permitir eventos de marketing na cidade".

"É uma forma importante de angariação de receitas para a cidade", disse o autarca, lembrando que só 10% das fontes de rendimento do município vêm do Orçamento do Estado e 90% da economia e "uma das formas de receita importantes é a ocupação do espaço público".

Afirmando estar consciente do desagrado de alguns lojistas daquela avenida com a realização do piquenique, o vereador Sá Fernandes justificou-se com a importância do evento e com o facto de “não ter mais sítios disponíveis”.

“Irão ocorrer, de facto, conflitos com o trânsito e, por isso, apelo a que as pessoas usem o transporte público”, afirmou.

Sá Fernandes reafirmou à Lusa que está a "tentar minimizar alguns impactos para os lojistas".

Por causa do Mega Piquenique, a Avenida da Liberdade e os Restauradores vão ter condicionamentos ao trânsito entre hoje e segunda-feira, com o encerramento total da avenida no sábado, durante todo o dia, informou a autarquia.

Em declarações à Lusa, a directora da loja da Gucci na Avenida da Liberdade disse que a iniciativa do Continente em conjunto com a Câmara de Lisboa “prejudica muitíssimo” porque os condicionamentos ao trânsito que vão ocorrer afastam os clientes da marca e o evento não atrai novos compradores.

Para a responsável, “é lamentável o facto de não terem sido sequer consultados” acerca da escolha daquela avenida para receber o piquenique.

A directora da loja da Gucci na Avenida da Liberdade pondera encerrar o estabelecimento naquele dia, que “vai ser catastrófico” em termos de negócio.

Opinião semelhante tem Filipe Roçadas, que gere dois estabelecimentos naquela avenida e lembra-se das consequências do último Mega Piquenique naquele local: “A partir das 14:00 mais valia estar fechado. Perdemos 60% do valor do dia”.

Para o próximo ano, Filipe Roçadas sugere o Parque Eduardo VII por ser “de fácil acessibilidade e com espaços verdes”.

“Porquê uma artéria central onde se tem de fechar estradas?”, questionou.

A gerente de uma outra loja, que preferiu o anonimato, mostrou-se bastante crítica e defendeu que a Câmara de Lisboa devia ter outras preocupações.

“A 10.ª avenida de luxo do mundo vai ser invadida por um piquenique que tem toda a legitimidade de existir, mas não à nossa porta. Era preferível que a câmara se dedicasse a arranjar a avenida que tem inúmeros sem abrigo e essas pessoas mereciam uma vida melhor, ou a limpar a avenida ou a arranjar os passeios que estão todos destruídos”, frisou.

Afirmando que tinha um evento marcado para esse dia na loja e teve de o cancelar, a gerente afirmou que no sábado será um dia de “enorme prejuízo”.

Comparando com as marchas populares, a gerente frisou que são “uma tradição e a cultura” lisboeta, pelo que são entendidas e aceites.

“Agora, uma entidade privada que não tem nada a ver com a avenida nem com os comerciantes, promover um piquenique, é mais complicado”, afirmou.

Também a presidente da Associação Passeio Público, que representa moradores e comerciantes da avenida, defendeu que “não é o local mais adequado” para receber o piquenique.

“Não é o espaço próprio para fazer um evento deste tipo. O local do Rock in Rio ou Monsanto, que tem árvores e campo, são mais apropriados”, defendeu Maria João Bahia.

Opinião contrária tem o gerente da Michael Kors em Lisboa que vê o evento como uma oportunidade de trazer mais clientes.

"Tudo o que traga pessoas para nós é sempre bom. Não vejo nenhum problema", disse.