Assembleia Municipal de Lisboa
foto EPAL
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jardim do Principe Real, 1859, ano da sua inauguração
jardim do Principe Real, 1859, ano da sua inauguração
30ª Sessão Ordinária - 17 de Junho
Costa considera “negativa” existência de parque de estacionamento no Príncipe Real
17-06-2014 AYMN // ZO, Lusa
recomendação do PCP, Verdes e BE

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, afirmou hoje na Assembleia Municipal que as perfurações no Príncipe Real são apenas de avaliação, frisando que é negativo construir um parque naquela zona da cidade.

“É negativo que exista um parque rotativo naquela zona da cidade”, disse António Costa, que falava na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), referindo-se à possível construção de um parque subterrâneo no Príncipe Real.

De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a autarquia apenas autorizou a realização de sondagens no local, para verificar se esta estrutura não interfere com o espaço do jardim, pelo que só se tomarão decisões quando o processo estiver terminado.

António Costa explicou que a construção foi concessionada “há muitos anos” a uma empresa privada, mas a autarquia e a Direcção-Geral do Património chumbaram o projecto, por não dar “garantias suficientes”.

Ainda assim, reconheceu que “aquele parque pode ser uma mais-valia porque é uma zona carente de estacionamento para residentes, mas só se se verificar que não existe risco”.

“Não aceitamos um parque que cause qualquer risco à subsistência do jardim ou à sua estrutura hidrogeológica”, frisou António Costa.

O autarca defendeu que ali deveriam existir mais transportes públicos, acrescentando que “um dia em que a Carris esteja sob gestão do município”, pretende-se estender o circuito do eléctrico à zona do Príncipe Real. “É a vontade que temos”, frisou.

O tema foi levado àquela reunião pelo PCP, pelos Verdes e pelo BE, que efectuaram recomendações à autarquia quanto a este parque. O documento do PCP contra as “perfurações no solo do Jardim França Borges” foi aprovado, com votos contra do PNPN, abstenções do PSD e PS e votos favoráveis das restantes forças políticas ali presentes. Igual destino teve a recomendação dos Verdes, que apela à “defesa do Jardim do Príncipe Real e dos demais jardins emblemáticos da cidade de Lisboa”, com abstenções do PS e PNPN (Parque das Nações Por Nós) e votos a favor do PSD, MPT, PAN, CDS, PCP, PEV e BE. Já a recomendação do Bloco de Esquerda foi rejeitada com votos contra dos deputados independentes, de um deputado socialista e do PSD. Os restantes deputados do PS abstiveram-se, à semelhança do PNPN. Os restantes partidos mostraram-se favoráveis.

Nas suas intervenções, a comunista Ana Páscoa, a bloquista Mariana Mortágua e a deputada Cláudia Madeira dos Verdes salientaram que este é um dos jardins mais emblemáticos da cidade, que já esteve parado durante demasiado tempo, não sendo legítimo destruí-lo através da criação desta zona de estacionamento.

Os moradores também já criticaram esta estrutura, tendo lançado na segunda-feira uma petição para mostrar a sua indignação. No documento, o Grupo de Amigos do Príncipe Real, o Fórum Cidadania Lx, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico e a Associação Lisboa Verde, signatários da petição, “manifestam o seu repúdio” por esta construção, alegando entre outros motivos que em causa está a protecção associada ao Reservatório da Patriarcal do Príncipe Real, assim como a candidatura do Aqueduto das Águas Livres a património mundial da UNESCO.

A “Petição contra a construção do parque de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real“, que apela ainda ao arquivamento deste processo, contava às 18:00 com mais de 1.400 assinaturas.