Assembleia Municipal de Lisboa
*
Hospital do Desterro
Projecto para antigo hospital está parado e sem data de início
29-10-2014 Público
Empresa responsável aguarda respostas "fundamentais" da Estamo

As obras de reabilitação do antigo Hospital do Desterro, em Lisboa, destinadas a transformá-lo num espaço cultural, estão paradas e não há prazo previsto para a sua conclusão, disse à Lusa fonte da Mainside, promotora do projecto.

A Câmara de Lisboa, a Estamo (imobiliária de capitais públicos que é dona do imóvel) e a Mainside (empresa promotora da Lx Factory, em Alcântara) assinaram em Maio de 2013 um protocolo, "tendo em vista a reabilitação e reutilização do Hospital do Desterro", que passaria a ser um "território experimental aberto ao mundo".

Em Novembro passado, fonte da Mainside disse à Lusa que as obras deveriam estar terminadas antes do Verão deste ano - em Maio tinha dito ao PÚBLICO que a inauguração poderia acontecer no final de 2013. O edifício foi já alvo de limpezas e de algumas demolições, mas entretanto os trabalhos pararam. A empresa está agora a "aguardar respostas por parte da entidade proprietária do espaço, a Estamo, para dar continuidade aos trabalhos de obra". "Respostas são fundamentais para o normal andamento do processo", acrescentou a empresa, em resposta escrita à Lusa. "No que respeita a prazos, no momento não conseguimos dar uma indicação de datas concretas", informou. A empresa garantiu que o projecto "continua em desenvolvimento" e que, "apesar do compasso de espera dos trabalhos de obra, o conceito tem evoluído e está cada vez mais forte e coerente".

Em 2013, "foi realizado um conjunto de obras enquadradas numa primeira fase de trabalhos que visavam uma limpeza do espaço e algumas demolições de elementos que não faziam parte do edifício original do Mosteiro de Nossa Senhora do Desterro, nomeadamente acrescentos sem valor patrimonial resultantes das necessidades de uso hospitalar", acrescentou.

Em Maio do ano passado, o presidente da Mainside revelou que o investimento para a primeira fase era de um milhão de euros. "Depois avaliaremos a segunda fase", disse na altura José Carvalho, referindo ainda que a concessão é de dez anos e que poderá ser prolongada.

O Hospital do Desterro foi uma unidade de referência nas áreas da urologia e dermatologia, até ser desactivado em 2006. O edifício foi vendido à Estamo por 9,24 milhões de euros. Através do protocolo assinado com aquela empresa e a Câmara de Lisboa, a Mainside propôs-se transformá-lo num "território experimental aberto ao mundo", numa "grande escola, um campus de conhecimento", virado para os lisboetas e para quem visita a capital.

De acordo com os promotores será possível "habitar e trabalhar numa cela (no sentido figurado, já que as antigas celas do convento deram lugar a quartos de hospital)". Os visitantes poderão também cultivar uma horta urbana, frequentar um clube de discussão, almoçar num refeitório comunitário ou assistir a aulas ou workshops, "entre muitas outras experiências desenvolvidas por várias empresas e organizações", segundo uma nota da autarquia.
Público