Assembleia Municipal de Lisboa
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54ª reunião AML - 13 de Janeiro de 2015
Assembleia Municipal de Lisboa aprovou moção contra actos terroristas
14-01-2015 AML com LUSA
solidariedade - Charlie Hebdo

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou hoje, por unanimidade, uma moção "Contra os actos terroristas em Paris, a favor da Liberdade e da Paz" e um voto "Contra a violência e a islamofobia".

Na moção, proposta pela Mesa e pelos Grupos Municipais da AML, e a ser enviada à Assembleia da República e ao embaixador de França em Portugal, condena "veementemente os actos terroristas cometidos", repudia "quaisquer actos de violência em França e pelo mundo" e proclama "a urgência da defesa permanente dos valores da liberdade e da solidariedade, que são indissociáveis da Democracia e da Paz". A AML deliberou ainda "lutar pela preservação e salvaguarda de condições de verdadeira convivência democrática entre pessoas de todas as proveniências, credos, religiões ou origens na cidade de Lisboa", bem como "apelar aos mais profundos valores de liberdade e dignidade humanas para combater todas as formas de intolerância e opressão dos povos".

Na moção manifesta-se ainda a solidariedade da AML "para com os familiares e colegas profissionais das vítimas, bem como para com o povo francês". Apesar de ter votado favoravelmente a moção, o grupo municipal do Partido dos Animais e da Natureza (PAN) foi o único que não a subscreveu. Numa declaração de voto, o deputado Miguel Santos alegou que, embora moções como a votada hoje "sejam totalmente merecidas, aparecem sempre contrastadas com ''não-moções'' relativas a factos idênticos que ocorrem todos os dias, e por vezes são mais graves do que este".

Após aprovação da moção, os deputados fizeram um minuto de silêncio. Desde quarta-feira passada registaram-se três incidentes violentos na capital francesa, incluindo um sequestro, que, no total, fizeram 20 mortos. Os atentados começaram com um ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo. Depois de dois dias em fuga, os dois suspeitos do ataque ao jornal, os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi, de 32 e 34 anos, foram mortos após confrontos com as forças de elite francesas quando abandonaram aos tiros a gráfica onde se barricaram, em Dammartin-en-Goële, nos arredores da cidade.

Na quinta-feira, foi morta uma agente da polícia municipal, a sul de Paris, tendo a polícia estabelecido "uma conexão" entre os dois ''jihadistas'' suspeitos do atentado ao Charlie Hebdo e o presumível assassino. Na sexta-feira, ao fim da manhã, cinco pessoas foram mortas num supermercado ''kosher'' (judaico) do leste de Paris, numa tomada de reféns, incluindo o autor do sequestro, que foi igualmente morto durante a operação policial.

Hoje, a AML aprovou, também por unanimidade, um voto proposto pelo Bloco de Esquerda "Contra a violência a Islamofobia", onde se condena "de forma inequívoca todas as formas de violência e qualquer ofensa à liberdade de expressão e de culto".
No voto, condena-se também "a instrumentalização política da imigração, rejeitando qualquer tentativa de associação da imigração à violência, à crise, à criminalidade e/ou ao desemprego". Com o voto, ficou decidido que a AML irá recomendar à Câmara Municipal que esta "prossiga, em conjunto com as organizações da sociedade civil representadas no Conselho Municipal para a Interculturalidade e a Cidadania, a promoção de um espaço de debate de fundo sobre o desafio político de encontrar soluções políticas abrangentes para os problemas de marginalização social, de estigmatização e de descriminação com que se defrontam os imigrantes".
AML com LUSA