Assembleia Municipal de Lisboa
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57ª reunião AML - 24 de Fevereiro
Assembleia Municipal de Lisboa apela à recuperação do Pavilhão Carlos Lopes
24-02-2015 JRS (SYP/AYMN) // ROC, LUSA

A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou hoje, por unanimidade, uma recomendação para que a Câmara promova a recuperação e reabilitação do Pavilhão Carlos Lopes, abandonado há vários anos.

No documento, - 05/57 http://www.am-lisboa.pt/302000/1/002103,000075/index.htm] - apresentado pelo Partido Ecologista Os Verdes, preconiza-se que a intervenção devolva “este emblemático edifício à cidade de Lisboa, salvaguarde a segurança do seu importante património artístico, bem como a recuperação do espólio azulejar, impedindo a sua deterioração, e assuma claramente um papel activo na reabertura e utilização pública do Pavilhão Carlos Lopes, devolvendo a sua valência para usufruto lúdico e desportivo da cidade”.

A deputada Cláudia Madeira, do PEV, recordou que a Câmara “anunciou, por diversas circunstâncias, a intenção de reabilitar o Pavilhão Carlos Lopes, devolvendo-o para a prática desportiva aos lisboetas”, mas “até ao momento não passou de intenções e projectos ainda não concretizados”.

Recentemente, o Pavilhão Carlos Lopes foi apontado pela Câmara Municipal de Lisboa como o novo Centro de Congressos de Lisboa. No entanto, no final de Janeiro, o vice-presidente da autarquia anunciou que o município “não irá apoiar nem financiar o centro de congressos” no Pavilhão Carlos Lopes, devido ao “pronunciamento público” da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Na altura, o autarca, que falava na reunião pública do executivo, salientou que “o projecto não era da Câmara, a iniciativa não foi da Câmara, era apenas uma pretensão acompanhada por várias instituições públicas”, para a qual não foi possível obter fundos comunitários.

Em Novembro, após a apresentação do orçamento municipal para 2015, o presidente da AHP mostrou-se contra a Taxa Municipal Turística anunciada pela Câmara de Lisboa e a utilização das receitas para construir um centro de congressos, orçado em 57 milhões de euros.

O Pavilhão Carlos Lopes, criado na década de 1920 para celebrar o 100.º aniversário da independência do Brasil, foi encerrado por falta de condições de segurança em 2003.

Entre as propostas para reabilitar o pavilhão dos últimos anos esteve a criação de um Museu Nacional do Desporto (proposta do ex-primeiro-ministro José Sócrates) a inaugurar em 2011.

No verão do ano seguinte, a Câmara de Lisboa aprovou uma proposta destinada a concessionar o Pavilhão Carlos Lopes à Fundação Aragão Pinto – liderada na altura pelo ainda candidato à presidência do Sporting Clube de Portugal Bruno de Carvalho.

Na altura, a proposta da fundação previa que o pavilhão recebesse eventos desportivos, mas também concertos, eventos de moda e uma “discoteca intimista”. A ideia acabou por não avançar, depois de a autarquia ter exigido à fundação uma garantia de condições financeiras para reabilitar e explorar o espaço.

Hoje, o PEV recordou que, “em 2008, a Câmara de Lisboa recebeu três milhões de euros de contrapartidas do Casino de Lisboa que se destinavam especificamente à recuperação e reabilitação do Pavilhão Carlos Lopes, mas que nunca chegaram a ser utilizados para esse efeito”.
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