Assembleia Municipal de Lisboa
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Lisboa quer novos gabinetes de apoio a bairros em três zonas até ao final do ano
14-04-2015 AYMN // ROC, LUSA

A Câmara de Lisboa quer criar, até ao final do ano, Gabinetes de Apoio aos Bairros de Intervenção Prioritária (GABIP) na Ajuda, no eixo da Avenida Almirante Reis e em Alcântara, disse hoje a vereadora do Desenvolvimento Local.

Segundo Paula Marques, o município pretende que estes GABIP, que vão juntar autarquia e moradores, abranjam os bairros 2 de Maio e Casalinho da Ajuda e o vale de Alcântara, além da zona da Almirante Reis.

Os GABIP funcionam como “instrumentos da política de desenvolvimento local” e estão organizados consoante as necessidades de cada zona, seja a habitação, o urbanismo ou os direitos socias, explicou a também responsável pelo pelouro da Habitação.

Para além disso, “implicam que haja o envolvimento de outros vereadores, porque a filosofia é mesmo essa - ter os vários vereadores a trabalharem no mesmo território, os serviços da Câmara e depois as organizações não-governamentais, as Juntas de Freguesia, as associações de moradores e depois uma comissão mais extensiva à população e às forças vivas do território”, de acordo com Paula Marques.

Atualmente existem cinco GABIP na cidade – Bairro Padre Cruz (o primeiro a ser criado), Bairro da Boavista, Alto da Eira, das Áreas Urbanas de Génese Ilegal (AUGI) e das áreas de autoconstrução e das habitações criadas no âmbito do programa Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL), após o 25 de Abril de 1974.

Havia outro na Mouraria, mas foi recentemente extinto “porque foi entendido que o grosso estava feito e consolidado e que eventualmente evoluiriam para outra forma de funcionamento, aproveitando a sinergia que tinha sido criada”, esclareceu a autarca.

“Enquanto nós entendermos que estes GABIP fazem sentido, mantemos. Quando a Câmara ou os parceiros entenderem que já não faz sentido, equacionaremos a hipótese de o extinguir”, assinalou.

Para Paula Marques, estes gabinetes podem ser “estruturas potenciadoras de reunião destes parceiros” e desta forma facilitar a apresentação de candidaturas aos fundos europeus, já que “o novo quadro comunitário funciona muito com programação de base local”.

“O que nós queremos é poder, para além do orçamento da Câmara, potenciar esse orçamento com fundos comunitários para fazer planos de desenvolvimento local”, sublinhou.

Paula Marques falava aos jornalistas após uma visita ao Bairro 2 de Maio, no âmbito de um seminário da plataforma Social Integration through Urban Growth Strategies (SINERGI), que agrega a comunidade académica, decisores políticos e organizações de base local de cidades como Lisboa, Escópia (Macedónia) e Turim (Itália).

Durante a visita, foi possível constatar que a Câmara já está a realizar algumas intervenções no bairro, nomeadamente ao nível da pavimentação, do reperfilamento e construção de passeios e da criação de hortas comunitárias, feitas ao longo do vale do Rio Seco.

Também aqui “entendemos que fazia sentido chamar os moradores e a comunidade a estas decisões”, concluiu Paula Marques.
AYMN // ROC - LUSA