Assembleia Municipal de Lisboa
1 de Maio de 1974, estádio 1º de Maio
1 de Maio de 1974, estádio 1º de Maio
Tito de Morais Maria Barroso e Palma Inácio
Tito de Morais Maria Barroso e Palma Inácio
Mário Soares
Mário Soares
*
Soares e Cunhal
Soares e Cunhal
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Soares e Cunhal
Soares e Cunhal
Alameda
Alameda
Estádio 1ª de Maio
Estádio 1ª de Maio
1ª de Maio de 2015
A Assembleia Municipal de Lisboa saúda todos os trabalhadores
30-04-2015 AML com Euronews

Era o estádio da FNAT - Federação Nacional para a Alegria no Trabalho - organismo do regime de Salazar.
A 1 de Maio de 1974 encheu-se com a maior multidão que Lisboa alguma vez vira e mudou de nome.
É hoje o estádio 1º de Maio.

No dia 1º de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, em manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada para oito horas de trabalho. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, depois de ferir e matar dezenas de operários.

Mas os trabalhadores não se deixaram abater, todos achavam que eram demais as horas diárias de trabalho, e no dia 5 de Maio de 1886, quatro dias depois da reivindicação de Chicago, os operários voltaram às ruas e foram novamente reprimidos: 8 líderes presos, 4 trabalhadores executados e 3 condenados a prisão perpétua.

A luta não parou e a solidariedade internacional pressionou o governo americano a anular o falso julgamento e a elaborar novo júri, em 1888. Os membros que constituíam o júri reconheceram a inocência dos trabalhadores, culparam o Estado americano e ordenaram que soltassem os 3 presos.

Em 1891, o Congresso Operário Internacional convocou, em França, uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial.

No dia 23 de Abril de 1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de maio como feriado, e um ano depois a Rússia fez o mesmo.

No calendário litúrgico celebra-se a memória de São José Operário por se tratar do santo padroeiro dos trabalhadores.

Em Portugal os trabalhadores assinalaram o 1º de Maio logo em 1890, o primeiro ano da sua realização internacional. Mas as acções do Dia do Trabalhador limitavam-se inicialmente a alguns piqueniques de confraternização, com discursos pelo meio, e a algumas romagens aos cemitérios em homenagem aos operários e activistas caídos na luta pelos seus direitos laborais.

Com as alterações qualitativas assumidas pelo sindicalismo português no fim da Monarquia, ao longo da I República, transformando-se num sindicalismo reivindicativo, consolidado e ampliado, o 1.º de Maio adquiriu também características de acção de massas. Até que, em 1919, após algumas das mais gloriosas lutas do sindicalismo e dos trabalhadores portugueses, foi conquistada e consagrada na lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio e da indústria.

Mesmo no Estado Novo, os portugueses souberam tornear os obstáculos do regime à expressão das liberdades. As greves e as manifestações realizadas em 1962, um ano após o início da guerra colonial em Angola, são provavelmente as mais relevantes e carregadas de simbolismo. Nesse período, apesar das proibições e da repressão, houve manifestações dos pescadores, dos corticeiros, dos telefonistas, dos bancários, dos trabalhadores da Carris e da CUF. No dia 1 de Maio, em Lisboa, manifestaram-se 100 000 pessoas, no Porto 20 000 e em Setúbal, 5000.

Ficarão como marco indelével na história do operariado português, as revoltas dos assalariados agrícolas dos campos do Alentejo, que tiveram o seu grande impulso no 1º de Maio de 62. Mais de 200 mil operários agrícolas que até então trabalhavam de sol a sol, participaram nas greves realizadas e impuseram aos agrários e ao governo de Salazar a jornada de oito horas de trabalho diário.

Mas o 1º de Maio mais extraordinário realizado em Portugal, com direito a destaque certo na história, aconteceu oito dias depois do 25 de Abril de 1974.