Assembleia Municipal de Lisboa
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Obras na Avenida da República avançam em março
16-02-2016 Inês Banha, DN

O alargamento dos passeios e a instalação de ciclovias são algumas das mudanças planeadas para o eixo Entrecampos-Marquês de Pombal. Câmara admite constrangimentos na circulação durante nove meses. O túnel do Rego, a Avenida 5 de Outubro e a Defensores de Chaves são as alternativas. A circulação automóvel nunca será cortada.

As obras de requalificação do eixo Entrecampos-Marquês de Pombal, que abrange a Avenida da República, a Praça Duque de Saldanha e a Avenida Fontes Pereira de Melo, devem arrancar já a meio do próximo mês e vão prolongar-se durante todo o ano de 2016. Essa é, pelo menos, a expectativa do vereador do Urbanismo na Câmara Municipal de Lisboa (CML), Manuel Salgado (PS), que reconhece que os trabalhos causarão "constrangimentos" na circulação de carros naquela que é uma das zonas mais movimentadas da capital.

O alargamento dos passeios e a instalação de ciclovias são algumas das intervenções incluídas na obra, que se prevê que custe 7,5 milhões de euros (com IVA) e cuja adjudicação é debatida e votada amanhã em reunião privada do executivo. O projeto foi divulgado em setembro, aquando da discussão na autarquia do lançamento do concurso público para o chamado eixo central: hoje dominado pelos carros, previa-se então que, finda a intervenção, Picoas e Saldanha tivessem sido transformadas em verdadeiras praças abertas a lisboetas e turistas e as avenidas da República e Fontes Pereira de Melo tivessem ganho uma ciclovia em cada sentido e passeios mais largos. Cinco meses depois, o essencial da iniciativa mantém-se, mas há alterações.

Desde logo, adianta Manuel Salgado, na dimensão das vias rodoviárias da Avenida Fontes Pereira de Melo, que serão afinal mais largas do que fora previsto inicialmente. Já na Avenida da República, a ciclovia ficará, em cada sentido, "entalada" entre o separador que divide o corredor central do lateral e o estacionamento. Simultaneamente, será aumentado o número de lugares disponíveis para cargas e descargas.

Menos estacionamento

No final, o que é hoje território dos automóveis terá mais espaço para qualquer pessoa desfrutar da cidade numa esplanada, pedalar ou caminhar. O cenário repete-se na Praça Duque de Saldanha, onde, de acordo com a apresentação do projeto, deixará de ser possível transitar de automóvel junto aos prédios e passará a existir uma rotunda interior, de menor dimensão, semelhante à atual, e nas Picoas, onde os carros passarão a transitar apenas no corredor central da Avenida Fontes Pereira de Melo, que manterá as três vias. Estas duas intervenções inserem-se no programa Uma Praça em Cada Bairro, uma iniciativa que visa converter 30 artérias da capital em locais de convívio ao ar livre.

A intervenção no eixo central, que prevê ainda a plantação de árvores, tem causado controvérsia, primeiro por, no âmbito da apresentação inicial da requalificação do Saldanha e das Picoas, o município não ter referido que pretendia alterar também a configuração das avenidas da República e Fontes Pereira de Melo, e depois devido à perda do número de lugares de estacionamento. Ao todo, segundo os dados disponíveis no site da CML, deverão existir, à superfície, menos 300 espaços para parar. O objetivo, confirma o autarca, é que esta perda seja compensada com lugares em parques cobertos, a "preços mais acessíveis (para residentes) do que aqueles que existem hoje". "Estamos em contacto com os vários operadores dos parques privados existentes na envolvente", assegura Manuel Salgado. A garantia não satisfaz o presidente da Associação de Moradores das Avenidas Novas, José Soares, que gostaria de ter uma alternativa antes de as obras terem início.

A previsão é de que os trabalhos comecem entre meados do próximo mês e o início do mês de abril. O investimento será de 7,5 milhões de euros (com IVA), menos do que o custo máximo definido no concurso público - 9,4 milhões (sem IVA). Igualmente inferior ao que se falara inicialmente é o prazo de execução previsto: nove e não 12 meses.

A obra realizar-se-á em três frentes simultâneas, sendo primeiramente intervencionado, em cada uma, o separador central e só depois os passeios. A Praça Duque de Saldanha será a última a ser concluída, no início de 2017. O faseamento, sublinha Manuel Salgado, permitirá que os "constrangimentos" ao trânsito sejam de menor dimensão, sem que, no entanto, se deixem de fazer sentir. O túnel do Rego, a Avenida 5 de Outubro e a Defensores de Chaves são as alternativas. A circulação automóvel nunca será cortada.

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