Assembleia Municipal de Lisboa
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103ª reunião AML - 19 de Abril 2016
Obras no Saldanha começam até ao fim da semana
20-04-2016 Inês Banha, DN

O início dos trabalhos foi anunciado ontem pelo presidente da autarquia perante o parlamento da cidade. Vereador do Urbanismo já tinha admitido que vão existir "constrangimentos" no trânsito. A novidade, é a autarquia manter estacionamento na Avenida da República atendendo a reivindicações dos moradores na zona.

Desta vez, é mesmo para avançar: depois de um inflamado debate sobre o projecto de requalificação do troço entre o Marquês de Pombal e a Avenida Elias Garcia, em Lisboa, as obras no chamado "eixo central" vão ter início ainda nesta semana.

A previsão é de que os trabalhos se prolonguem até ao final deste ano. A garantia foi dada ontem pelo presidente da câmara municipal, Fernando Medina (PS), no seu balanço trimestral na assembleia municipal, no âmbito do qual o autarca aproveitou para anunciar que o projecto final inclui a instalação de uma ciclovia com dois sentidos na Avenida da República e não duas com um só sentido, uma de cada lado da via, como previam as versões anteriores.

A medida permitirá que exista um ganho de sete lugares de estacionamento e não uma perda de 156, como estava estabelecido anteriormente, dando assim resposta às reivindicações dos moradores na zona.

É previsível que venham a verificar-se condicionamentos na circulação

O projecto foi apresentado em Setembro e exemplifica bem a visão do actual executivo para a cidade: quando, daqui a nove meses, os trabalhos estiverem concluídos, o eixo Avenida Fontes Pereira de Melo-Saldanha-Avenida da República (até ao cruzamento com a Avenida Elias Garcia) terá mais espaço para os peões e para as bicicletas e menos para os automóveis, que hoje dominam.

Na Avenida Fontes Pereira de Melo, os passeios serão alargados, ao mesmo tempo que surgirá, em cada sentido, uma ciclovia. A diferença notar-se-á sobretudo nas Picoas, onde o estacionamento junto ao Centro Comercial Imaviz e ao edifício da Portugal Telecom será substituído por passeios, árvores e pequenos relvados. A receita repete-se na Praça Duque de Saldanha, onde, de acordo com as imagens divulgadas em Setembro, a circulação automóvel far-se-á por uma espécie de rotunda interior.

A calçada e as esplanadas destacam-se também na Avenida da República, mas agora de forma distinta da prevista inicialmente: em vez de uma ciclovia em cada sentido da via, manter-se-á o estacionamento em espinha do lado nascente e será criada uma única ciclovia com dois sentidos a poente.

A opção fora já defendida pelo vereador do CDS-PP na autarquia, que, em comunicado enviado ontem, considerou "um assomo de bom senso" o anúncio de Fernando Medina. João Gonçalves Pereira ressalva, porém, que o projeto "fica muito aquém do que seria desejável em termos de mobilidade para os lisboetas", por, apesar de acautelar "a mobilidade ciclável e pedonal", continuar "a ser desastroso para a mobilidade automóvel".

Visão bem diferente tem o presidente da CML, para quem a obra que nesta semana terá início trará "benefícios para todos aqueles que residem e para todos aqueles que trabalham (no eixo central) muito significativos". O projecto prevê ainda a disponibilização de espaços para cargas e descargas e utilização temporária e a oferta, por 25 euros mensais, de lugares de estacionamentos em parques cobertos da zona, explorados por privados. O valor será acrescentado aos 12 euros anuais que os moradores já pagam para ter dístico de residente -algo que, para o autarca, se justifica por em causa estar um tipo de estacionamento com mais "conforto" e "segurança" do que à superfície. Para a Praça Duque de Saldanha, onde, segundo a informação disponível no site da CML, desaparecerão 90 lugares à superfície, não foi anunciada qualquer alteração.

Alternativas ao trânsito

Certo é que, tal como o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, admitiu há cerca de dois meses, as obras causarão "constrangimentos" na circulação automóvel. Ontem, após a intervenção do líder do executivo, o DN perguntou à autarquia que alterações sofrerá a circulação durante os trabalhos, mas não obteve resposta em tempo útil.

Em Março, Manuel Salgado adiantara já que a empreitada decorrerá em três frentes simultâneas, sendo primeiramente intervencionado, em cada uma, o separador central e só depois os passeios.

O túnel do Rego (entre a Avenida Álvaro Pais e a Avenida de Berna), a Avenida 5 de Outubro e a Avenida Defensores de Chaves foram as alternativas viárias então enumeradas pelo autarca. Já a circulação pedonal estará sempre assegurada, garantira anteriormente numa resposta enviada em fevereiro à Associação de Moradores das Avenidas Novas, divulgada na página no Facebook do movimento. No mesmo documento, o vereador com o pelouro do Urbanismo revelou ainda que o estaleiro central das obras será implantado nos terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos, enquanto o de âmbito local será instalado na Praça Duque de Saldanha. O investimento total é de 7,5 milhões de euros (com IVA).

Nova Feira Popular arranca até 31 de Dezembro

A construção, em Carnide, do parque urbano onde a Feira Popular de Lisboa renascerá vai ter início até ao final deste ano, anunciou ontem na Assembleia Municipal o presidente da câmara.

A obra incluirá a criação de um parque estacionamento com cerca de 1500 lugares e "possibilidade de expansão", que servirá quer o parque de diversões quer o interface de transportes públicos da Pontinha, ali localizado. A intenção é que esta infraestrutura, situada na fronteira entre Lisboa e Odivelas e perto da CRIL, a via rápida que liga Algés (Oeiras) a Sacavém (Loures), permita aos seus utilizadores estacionarem o carro "a baixo custo" e chegarem de transportes até ao centro da capital. A nova localização da Feira Popular foi anunciada em novembro, 12 anos depois de o equipamento ter encerrado em Entrecampos.