Assembleia Municipal de Lisboa
111ª reunião AML - 21 de Junho 2016
Lisboa presta homenagem a vítimas de Orlando
21-06-2016 FYM (PCR/NL/ ACL/AZR/JPS), LUSA

Os deputados da Assembleia Municipal de Lisboa aprovaram hoje, por unanimidade, três votos de pesar, prestando homenagem às vítimas do ataque de Orlando, nos Estados Unidos da América, ao sociólogo Paquete de Oliveira e à deputada britânica Jo Cox.

O voto apresentado pelo Bloco de Esquerda refere que o ataque em Orlando foi "um crime de ódio" e um "ataque às liberdades e ao direito à diferença que caracterizam as sociedades plurais e abertas, respeitadoras dos direitos humanos".

Na madrugada de 12 de junho, um homem identificado como Omar Mateen, cidadão norte-americano de origem afegã, entrou na discoteca Pulse, em Orlando, na Florida, e abriu fogo sobre os clientes, causando 49 mortos e 53 feridos.

O movimento extremista Estado Islâmico reivindicou a autoria do tiroteio, considerado o pior nos Estados Unidos desde o 11 de setembro de 2001.

O voto de pesar vinca que "a repetição de atentados deste tipo não pode significar a indiferença da banalização nem a cedência às respostas intolerantes", acrescentando que "haverá certamente uma reflexão interna, a fazer nos Estados Unidos sobre as condições em que é exercido o direito ao porte de arma".

O voto de pesar pelo falecimento de José Manuel Paquete de Oliveira foi apresentado pelo grupo municipal do Partido Ecologista "Os Verdes", e lembra o percurso de vida do provedor do leitor do jornal Público.

O texto prevê também "propor à Câmara Municipal de Lisboa que pondere a atribuição de uma indicação toponímica na cidade".

Paquete de Oliveira, de 79 anos, morreu no dia 11 de junho no Hospital da Luz, em Lisboa, onde se encontrava internado há dois dias.

Natural do Funchal, era professor emérito do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, do qual se jubilara em 2006.

Doutorado em 1989, em Sociologia da Cultura e da Comunicação, através do ISCTE pela Universidade Técnica de Lisboa, entre outras funções, foi provedor do telespetador na RTP.

Também a deputada britânica Jo Cox foi lembrada hoje pelos deputados municipais, que aprovaram por unanimidade o voto de pesar apresentado pelo Partido Socialista.

A deputada trabalhista Jo Cox, 41 anos, não resistiu aos ferimentos após ter sido atingida a tiro e apunhalada na quinta-feira em plena rua na cidade de Birstall, norte de Inglaterra.

Segundo alguns testemunhos, o atacante gritou "Britain First!" (O Reino Unido primeiro), numa alusão a uma formação da extrema-direita contrária à imigração.

"Este ato violento é, a todos os títulos, injustificável e intolerável, sendo particularmente, grave, no contexto da campanha do referendo do povo britânico da próxima semana, que determinará a permanência ou saída do Reino Unido na União Europeia, e de que Jo Cox era uma das protagonistas", lê-se no documento.

O texto refere também que "caso se confirmem os contornos políticos deste incidente, este ato representará um atentado contra um dos mais elementares preceitos democráticos que fundamentam todos os estados de direito, a liberdade de expressão".

"Não podemos ficar indiferentes a um ataque cobarde à liberdade e à vida de uma representante do povo", acrescenta.