Assembleia Municipal de Lisboa
117ª reunião AML - 13 de Setembro 2016
AML reabre trabalhos com declarações politicas
14-09-2016 AML com Público

A primeira sessão da AML depois das férias parlamentares foi sobretudo dedicada a declarações politicas, com a 2ª Circular na ordem do dia.

Na reunião de ontem da AML ouviram-se várias vozes em defesa da decisão do presidente da câmara de anular o concurso para a requalificação da Segunda Circular entre o Nó da Buraca e o Aeroporto. Entre elas, a de Ana Gaspar, dos Cidadãos Por Lisboa, que elogiou Fernando Medina porque este "ousou ser transparente e dizê-lo muito claramente a toda a população".

"Temos felizmente um presidente de câmara que ousa ir à televisão e dizer houve um erro, suspende-se e será julgado", disse a deputada. "Nós chamamos a isto transparência, chamamos a isto a beleza da poesia do que fazemos diariamente", acrescentou, concluindo a sua intervenção com um entusiástico "bravo".

Já José Leitão, líder da bancada do PS, sublinhou que a requalificação da Segunda Circular "é um projecto extremamente importante para a cidade", mas salvaguardou que "as obras não podem ser feitas a qualquer preço e de qualquer maneira, ao preço da idoneidade e seriedade dos procedimentos". Por sua vez, Rute Lima, eleita pelo mesmo partido, desdobrou-se em elogios a Fernando Medina, que em sua opinião agiu com "máxima e inequívoca responsabilidade, coragem e seriedade".

Pelo CDS, Diogo Moura defendeu que há "suspeições, indícios" que "devem ser investigados" e que "é preciso apurar responsabilidades" neste processo, mas aconselhou também "prudência". Em nome do PEV, Cláudia Madeira falou numa "confusão total" e acusou o executivo camarário de "falta de rigor", enquanto Vasco Santos, do MPT, se manifestou preocupado com as indemnizações que a câmara pode vir a ter de pagar.

Pelo Bloco de Esquerda foi apresentada uma proposta de criação de uma comissão eventual para a 2ª circular, matéria que deverá agora ser analisada em Conferência de Representantes.

No encerramento deste debate que ficou marcado pelo silêncio do PSD, Fernando Medina acusou a oposição de "criticar por criticar" e de "dar voz" a quem não ficou satisfeito com a sua decisão de anular o concurso e frisou ter actuado "na estrita defesa do interesse público, seguindo sempre os mais elevados padrões éticos".

"Não há, de tudo quanto conheço deste processo, algo que possa ser criticável", afirmou o autarca referindo-se à actuação dos serviços municipais. "Não tenho indício de que tenham tido qualquer falha", conclui, lembrando no entanto que já determinou a realização de um inquérito interno com vista ao "apuramento cabal dos factos".