Assembleia Municipal de Lisboa
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10ª reunião da AML - 30 de Janeiro 2018
Cossoul ainda continua na D. Carlos I
30-01-2018 AML com Público e LUSA

Há quase dez anos que paira sobre a Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul a ideia de que, mais cedo ou mais tarde, esta centenária colectividade vai ter de abandonar as suas instalações históricas na Avenida D. Carlos I.

Câmara diz já ter um espaço para "resolver temporariamente a situação", mas continua a faltar solução definitiva. O espectro ganhou contornos mais evidentes a meio do ano passado, quando o senhorio deu à sociedade até ao fim de 2017 para procurar nova casa. Pressionada, a Câmara Municipal de Lisboa chegou a acordo com o dono do prédio para que a Cossoul ali fique até ao fim do primeiro semestre de 2018.

O tique-taque do relógio é imparável e na Cossoul pergunta-se pelo futuro. "Estamos já há muito tempo em diálogo com o gabinete de Cultura da câmara. No entanto, até ao momento, apenas conseguimos a garantia de ficar o primeiro semestre.

Não foram ainda feitos progressos significativos", lamentou ontem Paulo Tavares, presidente da sociedade, que foi à assembleia municipal apresentar uma petição com 544 assinaturas em defesa da colectividade.

O responsável disse que a Cossoul atravessa "um dos seus períodos de maior dinamismo" e que, em 2017, passaram pelas 180 actividades da instituição cerca de dez mil pessoas. A Cossoul tem uma programação regular de teatro, música, poesia e artes visuais. Além disso, tem uma banda juvenil criada em 2016 e uma editora literária e livraria.

A Junta de Freguesia da Estrela propôs recentemente a mudança da sociedade para um espaço gerido pela junta. "Começa a desenhar-se como a única solução", afirmou Luís Newton, o autarca, que fez um apelo de "comunhão de esforços" para uma solução definitiva. "Deve ficar claro que nós não podemos ficar a acalentar soluções temporárias ad aeternum", acresentou.

Para já, a câmara tem precisamente uma solução temporária. "Eu já tenho identificado um espaço que poderá resolver temporariamente a situação", informou a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, que não revelou o local e anunciou que vai marcar reunião com os responsáveis da Cossoul. O novo espaço está pronto a receber a sociedade "no segundo semestre" e funcionará apenas durante "a fase de transição" para um sítio definitivo, assegurou.

"É uma instituição que nós acarinhamos, cuja importância reconhecemos", disse Vaz Pinto. "Nos últimos meses temos andado a fazer uma pesquisa na cidade, inclusive noutras freguesias." Contudo, sublinhou, a mudança de freguesia não é a sua opção preferida. Os deputados de todos os partidos manifestaram-se também a favor de manter a Cossoul na mesma zona.

Alojamento Local em debate

Na sessão plenária de hoje, os eleitos municipais debateram também o tema do alojamento local, tendo sido aprovada uma moção no sentido de "solicitar à Assembleia da República a alteração do enquadramento legal do desta atividade, tendo em vista que o atual processo de registo dê lugar a um processo de autorização com critérios a definir pelos municípios".

A moção pede também que seja possibilitado "aos municípios a limitação das autorizações concedidas para zonas específicas, através do estabelecimento de quotas, que assegurem o equilíbrio entre a habitação permanente e o uso turístico".