Assembleia Municipal de Lisboa
Plano de Urbanização de Alcântara pretende melhorar habitação e emprego
24-09-2014 SYSM // JPS, Lusa

Moradores e deputados municipais debateram terça-feira à noite o Plano de Urbanização de Alcântara, que tem sido desenvolvido, desde 2008, pela Câmara de Lisboa e que prevê a construção de áreas de habitação, escritórios e equipamentos.
Recordamos que a votação do Plano de Urbanização de Alcântara foi adiada em 24 de Julho na AML, precisamente para ser ouvida a Junta de Freguesia de Alcântara.

Cerca de uma centena de pessoas, entre moradores de Alcântara e deputados de diferentes forças políticas, participaram no debate sobre o Plano de Urbanização de Alcântara, apresentado pelo vereador do urbanismo da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, o arquiteto da divisão de planeamento territorial, Eduardo Campelo, e o presidente da junta de freguesia, Davide Amado.

Segundo o vereador do urbanismo da Câmara de Lisboa, o Plano de Alcântara pretende "resolver um conjunto de situações urbanísticas" que surgiram no mandato de Pedro Santana Lopes, com o projeto Alcântara 21, que "permitiu a demolição de todas as ex-instalações industriais que havia junto ao rio e que deixou aqueles terrenos vazios".

A partir de 2008, com António Costa à frente da Câmara de Lisboa, foi desenvolvido "um plano para esta área Alcântara, que permitisse desbloquear aquele impasse urbanístico", explicou.

Para Manuel Salgado, "não há nenhuma zona na cidade de Lisboa que até hoje tenha tido tantos planos e tantos estudos como Alcântara".

De acordo com o vereador, a primeira versão do Plano de Urbanização de Alcântara era "maximalista, no sentido em que previa a ampliação do terminal de contentores e previa uma linha férrea ligando a linha de Cascais à linha da Cintura".

Durante o período de elaboração do Plano, "foram surgindo algumas alterações significativas. Primeiro, o estudo de impacto ambiental impediu a ampliação do terminal de contentores, depois o projeto que foi feito pelo Estado para a ligação ferroviária, está feito, pronto para executar, mas deixou de ser uma obra de primeira prioridade".

De acordo com Manuel Salgado, tiveram de ser "estudadas outras alternativas e foi decidido, pela Câmara de Lisboa e pelas várias forças políticas, que o Plano tivesse uma primeira versão muito simplificada construir áreas de habitação, escritórios e vários equipamentos".

A primeira fase do Plano de Urbanização de Alcântara é "minimalista, como pouca intervenção do ponto de vista das infraestruturas, mas com benefício dos equipamentos e da requalificação do espaço público", justificou.

Segundo o arquiteto da divisão de planeamento territorial, Eduardo Campelo, o Plano abrange "mais de 230 hectares no vale de Alcântara" e visa responder aos "vazios urbanos, que são áreas de oportunidade e de preocupação que precisavam de ser tratadas", afirmou.

Os principais eixos do Plano de Alcântara centram-se na "qualificação ambiental, coesão territorial e regeneração urbana".

A construção de 18 equipamentos como centros de dia, pavilhões gimnodesportivos, biblioteca, jardim-de-infância, unidade de cuidados primários, unidade de cuidados continuados, creches e parques de estacionamento para residentes integram a projeto para Alcântara.

A primeira fase do Plano de Alcântara ronda um orçamento de "23 milhões de euros, com investimentos públicos e privados", em que o valor total do projeto é "cerca de 53 milhões para ações urbanísticas", disse o arquiteto.

Questionado sobre uma possível intervenção para prevenir inundações como as que aconteceram na tarde de segunda-feira, em Alcântara, Manuel Salgado respondeu que "está a ser preparada uma candidatura para intervenção de todo o Vale de Alcântara", através da equipa do vereador da estrutura verde na Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, "para reduzir a afluência de águas", com a construção de bacias de retenção.

Alguns participantes no debate mostraram ter dúvidas sobre o Plano de Pormenor da Pedreira do Alvito, também na freguesia de Alcântara, e o Plano de Urbanização de Alcântara. O vereador do urbanismo assegurou que vai pedir à Câmara de Lisboa para não aprovar o Plano do Alvito, sem que antes aconteça uma sessão de debate na junta de freguesia.