Assembleia Municipal de Lisboa
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90ª reunião AML - 12 de Janeiro 2016
A Segunda Circular não será "floresta"
13-01-2016 AML com Jornal de Notícias
Prazo para consulta pública alargado para dia 29 de Janeiro

Fernando Medina recusou que o projecto da autarquia para a Segunda Circular a transforme "numa floresta", assegurando que a iniciativa visa melhorar a mobilidade naquela via através do aumento da fluidez do trânsito. Medina anunciou ainda o alargamento, até ao dia 29, do prazo para a consulta pública do projecto.
De acordo com fonte municipal, a indicação da prorrogação do prazo será colocada "nos suportes do município" e as redes sociais. Iniciada no dia 23 de Dezembro, a consulta pública deveria terminar amanhã.

Entretanto, Fernando Medina recusou que o projecto da autarquia para a Segunda Circular a transforme "numa floresta", assegurando que a iniciativa visa melhorar a mobilidade naquela via através do aumento da fluidez do trânsito. "Estão previstas 570 árvores em sete quilómetros (só no separador central), não são 8000, não é uma floresta na Segunda Circular. É que (...) houve críticas como se tivéssemos transformado a Segunda Circular numa floresta na qual os carros iriam passear", declarou, na Assembleia Municipal de Lisboa.

O plano visa diminuir o tráfego de atravessamento através da reformulação de alguns acessos e dos nós de acesso ao IC19 e à A1, encaminhando o trânsito para a CRIL. O projecto - avaliado em 10 milhões de euros - prevê também a redução da largura das vias (onde ainda não existe), montagem de barreiras acústicas, reabilitação da drenagem, renovação da iluminação pública e sinalética e a redução da velocidade.

De acordo com o responsável, outra das críticas refere-se à redução da velocidade. Porém, "para surpresa dos críticos", a "velocidade média à hora de ponta na Segunda Circular vai aumentar porque vão diminuir os congestionamentos, os pontos de estrangulamentos e os limites extremos de velocidade que os carros podem praticar (...) e, por isso, haverá maior fluidez".

Minutos antes, o deputado municipal social-democrata Carlos Barbosa, que também é presidente do Automóvel Club de Portugal, referiu que "esta obra não afecta apenas a cidade de Lisboa, mas toda a área metropolitana", pelo que questionou se já foram estabelecidos contactos com municípios como Loures e Sintra. "É um projecto que vai embelezar a zona, mas não vai resolver o problema da mobilidade", observou.

O PROJECTO

Oito mil árvores no separador e à volta

A arborização da 2ª Circular com o objectivo de melhorar a qualidade do ar é uma das medidas principais do projecto da autarquia. Ao todo, serão plantados 580 exemplares no separador central, que passará a ter 3,5 metros de largura, e 7500 na sua envolvente. Cerca de 70% das árvores plantadas entre os dois sentidos serão lódãos-bastardos, uma espécie de folha caduca que se adapta ao ambiente urbano e à poluição dos carros.

Cor diferente fará a diferença à direita

A repavimentação da 2ª Circular com um pavimento que permitirá reduzir em 50% o ruído provocado pela circulação dos automóveis será acompanhada da utilização de uma coloração diferente, em cada sentido, na via da direita. A distinção visa marcar o facto de estas se destinarem prioritariamente a entradas e saídas. As restantes passarão a ter, na sua totalidade, 3,25 metros de largura, característico já de alguns troços da via.

Velocidade ficará reduzida a 60 km/h

A velocidade máxima de circulação na 2- Circular vai passar de 80 km/h para 60 km/h, uma medida que a autarquia garante que terá como consequência o aumento da fluidez do trânsito. De acordo com o estudo de tráfego elaborado pela consultora TIS-Movimentos Inteligentes, a velocidade média de circulação em hora de ponta é, actualmente, de 45,7 km/h. A estimativa é que, após a intervenção, passe a ser de 47,1 km/h (mais 1%).

Nova iluminação vai ser mais eficiente

A iluminação da 2ª Circular deverá ser substituída, prevê a câmara, por uma solução mais eficiente. Daí resultará uma poupança energética de 60%. A instalação de barreiras acústicas, a reabilitação do sistema de drenagem e a renovação da sinalização vertical e horizontal, que passará a estar mais visível, são outras das intervenções propostas para todo o traçado. Há ainda três nós que perderão acessos.