Assembleia Municipal de Lisboa
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CML
Momento histórico para os transportes públicos metropolitanos
04-03-2016

O presidente da Câmara Municipal defende mudanças profundas nos transportes públicos e apresentou quatro pontos para "uma nova visão sem preconceitos" para um sistema que deve ser integrado, credível, acessível e sustentável. As declarações foram proferidas na abertura de um fórum sobre mobilidade, promovido pela Área Metropolitana de Lisboa, um encontro que o autarca considerou ser um momento histórico para os transportes metropolitanos.

Uma "nova visão sem preconceitos" para o sistema de transportes na Área Metropolitana de Lisboa implica "mudanças profundas" e um serviço público integrado, credível, acessível e sustentável. A afirmação é de Fernando Medina no discurso de abertura do Fórum Mobilidade e Sistema Metropolitano de Transportes - Direito à Mobilidade com Transportes Públicos Sustentáveis, que decorreu em 3 de março no ISCSP.

Se o país "avançou muito bem" em áreas como os resíduos, águas, saneamento ou saúde já o "o sistema de transportes públicos fracassou", diz o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, constituindo "porventura um dos principais fracassos" nas políticas públicas das últimas décadas.

Por isso, num sistema hoje "profundamente desarticulado e desajustado" há problemas de fundo para resolver e o grande desafio político é "pegar neste emaranhado e encontrar os pontos certos para projetar uma visão de futuro", sublinha. O que implica também que não existam preconceitos quanto às competências, poderes e atribuições.

São quatro os pontos centrais que Medina preconiza para resolver os principais estrangulamentos neste setor, dos meios à satisfação das necessidades das pessoas, da acessibilidade à sustentabilidade.

Servir as necessidades dos cidadãos

Desde logo, defende, o sistema deve ser integrado de forma a colmatar o desajustamento face às mudanças dos padrões de mobilidade numa Área Metropolitana que se complexificou e que necessita de ganhar flexibilidade ao nível da adaptação integrada dos meios. Dos comboios ao metro, barcos ou transportes rodoviários, mas também os parques de estacionamento e os modos suaves de transporte. Procurando sobretudo responder às necessidades das pessoas e permitir "que cada um consiga chegar a qualquer ponto da área metropolitana de forma eficiente, barata e eficaz."

Credibilidade é o segundo ponto preconizado por Fernando Medina para um sistema que deve ser credível, transparente, amigável e confiável. A um nível que leve as pessoas a nem pensarem noutro meio de transporte, frisa, para adiantar o terceiro ponto: a acessibilidade do ponto de vista financeiro para todos os cidadãos. "Devemos ter a consciência do tempo que vivemos e das limitações", mas para além de uma visão realista na implementação das políticas "nunca podemos abdicar do caminho que queremos atingir", diz, clarificando que o futuro implica uma redução dos preços hoje praticados para muitos dos munícipes.

A sustentabilidade é outro dos pontos que o presidente da autarquia lisboeta preconiza, do ponto de vista ambiental mas também financeiro. Porque "não há um verdadeiro sistema de transportes públicos que seja lucrativo e sustentável sem subsidiação."

Na abertura do encontro, que Medina considera muito importante, "quiçá único na história do desenvolvimento de transportes públicos metropolitanos em muitas décadas", intervieram ainda os presidentes dos municípios de Cascais e Barreiro, Carlos Carreiras e Carlos Humberto de Carvalho, e o Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente.

Durante o dia participaram no debate vários autarcas e agentes ligados aos transportes públicos, entre sindicatos e associações de utentes e patronais. O fórum é encerrado pelo presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa e da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, e pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.