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Lisboetas vão ter espaço para reparar objetos danificados
24-11-2017 Carlos Ferro, DN

Lisboa vai ter um Repair Café. Ou seja, um espaço onde as pessoas vão poder, por exemplo, reparar o seu telemóvel partido ou um brinquedo em mau estado. É a economia circular a nascer no hub do Beato, em 2018.

Neste espaço, a autarquia pretende que sejam reparados ou reutilizados objectos que, habitualmente, vão para o lixo. No âmbito da economia verde, a autarquia vai pôr em prática um outro projecto, chamado Force, de combate ao desperdício alimentar.

A iniciativa Repair Café integra um bazar, onde as pessoas podem deixar os objectos reparados para outros os poderem utilizar e ainda um laboratório de combate ao desperdício {zero waste lab), que é "um espaço de educação e experimentação para as pessoas aprenderem a reduzir ao extremo os resíduos que produzem", explicou ao DN o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Duarte Cordeiro, acrescentando que "o espaço pretende ensinar os cidadãos a utilizar determinadas ferramentas para se chegar ao desperdício zero".

O Repair Café, que já existe como uma pequena comunidade que organiza eventos pontuais, pretende não só estimular a reparação e a reutilização, mas também promover estas práticas no dia-a-dia. O objectivo não é prejudicar as lojas de reparação que já existem, mas sim encorajar as pessoas a usar estes serviços. No Beato as pessoas vão aprender que há alternativas ao gesto de deitar fora os aparelhos com avarias. Porque existe sempre a alternativa de os tentar reparar.

Parceria europeia

O Projecto Force (cidades que cooperam para a economia circular), por sua vez, é uma parceria europeia entre Lisboa, Copenhaga, Hamburgo e Génova, em que Lisboa lidera o consórcio do programa de combate ao desperdício alimentar com um investimento de fundos comunitários no valor de 1,8 milhões de euros.

Aqui são englobadas "duas medidas muito concretas", adiantou o vice-presidente, frisando que a primeira consiste na distribuição de 4000 decompositores doméstico a famílias que tem moradias com espaços verdes, "umavezque 40% do lixo indiferenciado é orgânico e por isso pode ser reintroduzido nas zonas verdes". A segunda medida é uma aplicação online que permite maximizar todo o trabalho que é feito na rede do desperdício alimentar pelos restaurantes, empresas e associações que já estão envolvidas no combate ao desperdício alimentar.

Recorde-se que no início da semana foi apresentada a criação de um conselho consultivo de prevenção de resíduos com o objectivo de identificar boas práticas que possam ser adoptadas em vários sectores de actividade, nomeadamente por associações empresariais e industriais, associações ambientalistas, centros de investigação universitários, empresas de tratamento e valorização do sector, associações de moradores e as freguesias da cidade de Lisboa que também fazem parte deste conselho.