Assembleia Municipal de Lisboa
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8ª reunião da AML - 16 de Janeiro 2018
Concessão do Maria Matos avança
17-01-2018 AML com Público

Fernando Medina admite discutir o caderno de encargos para a concessão do espaço. "A câmara está muito disponível para discutir os termos, as valências, os tipos de intervenção", disse o autarca. "Mas não alimentamos nenhum preconceito contra companhias ou iniciativas particulares."

O presidente da câmara disse isto, ontem, no fim de um debate sobre o futuro do Maria Matos na assembleia municipal, pedido pelo PCP.

"Trata-se de alienar um equipamento cultural que foi intervencionado recentemente pela autarquia, houve investimento público, obras de requalificação, despesas em equipamento técnico especializado agora entregue de mão beijada a um privado", criticou a deputada comunista Ana Margarida de Carvalho.

Na réplica, Medina acusou o PCP de incoerência. "Se vingasse a tese do PCP de que o privado é mau, não havia um único equipamento entregue a companhias artísticas na cidade", disse, referindo-se ao Teatro Aberto, à Comuna e ao Cinearte como exemplos de teatros municipais em que a gestão e programação são privadas. Da bancada do público, onde estavam algumas das 2500 pessoas que assinaram uma petição contra a concessão do teatro, saíram gritos de "vergonha" e "mentira", lembrando que a Comuna e o Teatro Aberto "foram ocupados".

Já Ricardo Moreira, do Bloco de Esquerda, referiu que o Plano de Actividades da EGEAC (empresa municipal que gere o Maria Matos e outros espaços culturais da cidade) prevê um crescimento do público daquele teatro em 40% para 2018. Por isso, diz que é um contra-senso entregar a gestão a outra entidade.

Mas a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, voltou a defender a opção anunciada, repetindo argumentos que já utilizou em várias entrevistas. "A câmara, proprietária do espaço, irá arrendá-lo por cinco anos, não com base no preço, mas com base na qualidade do projecto artístico", informou a responsável. "Estranho este foco insistente no Maria Matos", disse Vaz Pinto, que afirmou novamente que a concessão se insere num plano de reorganização dos teatros da cidade, que inclui a reabertura do Teatro Luís de Camões (em Belém) e do Teatro do Bairro Alto, que até há pouco era a casa da Cornucópia. O plano "só vem reforçar a oferta pública", argumentou. E defendeu que há "urgência" em lançar o processo, porque o anterior director artístico, Mark Deputter, saiu para a Culturgest a meio do ano passado, e a programação que deixou desenhada termina a meio deste ano.

Todas as recomendações e moções apresentadas pela esquerda para que a gestão do Maria Matos se mantivesse pública foram chumbadas. Incluindo uma do Bloco, que propunha a criação de um grupo de trabalho para a reestruturação da rede de teatros.