Assembleia Municipal de Lisboa
Moção 02/080 (PSD) - Somos todos refugiados
08-09-2015

Agendada: 80ª Reunião, 8 de Setembro de 2015
Debatida e votada: 8 de Setembro de 2015
Resultado da Votação: Aprovada por unanimidade
Nota: O Grupo Municipal do PNPN não este presente nesta votação
O Grupo Municipal do PAN não se fez representar nesta reunião
Passou a Deliberação: 233/AML/2015
Publicação em BM: 2º Suplemento ao BM nº 1126

Moção

O Mundo Global que hoje conhecemos onde as palavras, as ideias, as imagens e o dinheiro, circulam à velocidade da luz, onde tudo se desloca, pessoas, bens, mercadorias de todos e para todos os cantos do Mundo, por terra, ar e mar, sempre com mais frequência e da forma mais rápida em quantidades imensuráveis, os seres humanos não podem ser distinguidos pelo lugar onde nasceram, a cor da pele ou a religião que professam, nem penalizados pelos governos que suportaram, quando deles se líbertam.

Não podemos exportar ideias de liberdade e democracia e depois negarmo-nos a receber aqueles que por força dessas primaveras só receberam guerra, fome e tortura, não podemos fechar-nos na nossa tranquilidade e bem estar e colocar muros aos que as procuram .

O ser humano desde sempre se deslocou de uns lugares para outros do planeta, procurando guerra ou fugindo dela. Foram as várias invasões, pacíficas ou guerreiras, ao longo de milénios, que construíram o ADN do português, francês ,alemão ou qualquer outro povo moderno.

O Homem é o mesmo, a sua circunstância é que o distingue.

Foi assim nos últimos dois séculos, a deslocação maciça de asiáticos e europeus para as Américas, a saída de milhões de Europeus dos locais da segunda grande guerra, fugindo à perseguição nazi de norte para a península Ibérica e para as Américas foram depois nos anos 50 -60 muitos que procuraram melhor forma de vida dos países do Sul para a Europa Central.

É hoje a fuga maciça correndo perigos inenarráveis de África através do Mediterrâneo e de Este para Oeste, do Afeganistão, Síria, Iraque fugindo à guerra, ao desespero e à fome.

A solidariedade Portuguesa com o povo Maubere de Timor foi total, o sofrimento do povo grego com a crise que assolou a Grécia levou muitos a solidarizarem-se com os gregos a sua democracia e o seu governo, indignados com a austeridade a que foram obrigados.
Foram solidariedades nacionais e políticas, estas, mais para uso interno, mas foram fortes e audíveis com manifestações, grandes debates e centenas de artigos da mais douta opinião.

E agora, onde está a humanidade dos portugueses da dita esquerda ou da direita, quando milhares morrem afogados no Mediterrâneo, ou sufocam em camiões frigoríficos só porque à semelhança de muitos de nós no passado vêm à procura de paz, liberdade, uma vida digna e justiça para si e seus filhos, quem se solidariza, quem se manifesta, quem se disponibiliza?

São muito mais aqueles que se incomodam e dão graças por os refugiados preferirem o Reino Unido a Alemanha ou a França e não termos uma ilha Lampedusa junto à costa algarvia, deixando-nos ao sabor da tranquilidade interna.

O planeta Terra é por enquanto o único espaço que podemos ter, devemos partilhá-lo da forma mais equitativa que pudermos.

Mesmo considerando que a Europa começa a despertar para este grande drama que nos invade as consciências a toda a hora através de imagens de desespero e de morte, temos nós, representantes do Povo de Lisboa de tomar atitudes que ajudem a que os lisboetas tomem verdadeira consciência e tudo façam para alertar todos os portugueses, o governo, as instituições europeias e a ONU para que as centenas de milhares de refugiados que procuram na Europa refúgio de facto o encontrem e possa iniciar uma nova vida sem medo.

Assim propomos que ao nível da Assembleia Municipal e se possível com a Câmara Municipal de Lisboa se constitua um grupo de trabalho composto por representantes de todos os agrupamentos políticos que inicie a procura de ações e actividades que levem ao despertar de consciência, angariação de fundos e encontro dos necessários enquadramentos para a instalação do maior número de refugiados possível e estude a sua integração num quadro de dignidade.

Lisboa, 8 de Setembro de 2015

O deputado do Partido Social Democrata

Victor Pereira Gonçalves

Documentos
Documento em formato application/pdf Moção 02/80 (PSD)699 Kb