Assembleia Municipal de Lisboa
Voto 007/08/PPM - Homenagem à Actriz Amélia Rey Colaço (Nova Versão)
16-01-2018

Agendado inicialmente: 19 de dezembro de 2017
Reagendado: 16 de Janeiro de 2018 - nova versão
Debatido e votado: 16 de Janeiro de 2018
Resultado da Votação: Aprovado por unanimidade
Passou a Deliberação:11/AML/2018
Publicação em BM:BM nº 1255

Voto de Homenagem à Actriz Amélia Rey Colaço

A actriz Amélia Lafourcade Schmidt Rey Colaço de Robles nasceu a 2 de Março de 1898 em Lisboa e faleceu no dia 8 de Julho de 1990 com 92 anos de idade na mesma cidade.
Assinalaram-se 100 anos que a actriz Amélia Lafourcade Schmidt Rey Colaço de Robles Monteiro iniciou, a 17 de Novembro de 1917, a sua longa e distintiva carreira.
A sua estreia foi no Teatro República, o actual Teatro São Luiz, conhecido teatro municipal. A peça escolhida foi "Marianela", de Pérez Galdós, em que encarna uma personagem que realmente testaria as suas capacidades, sem "plumas ou enfeites para disfarçar qualquer gaucherie. Uma rapariguinha do povo, descalça, esfarrapada, mas de alma grande". A sua estreia, largamente divulgada pela imprensa, foi recebida com entusiasmo pela maioria dos críticos. Nóbrega Quintal elogiou o "jogo fisionómico perfeito, uma voz cantante cheia de ritmo que acaricia, um cuidado meticuloso na composição exterior da personagem, uma interpretação verdadeira, escrupulosa, perfeita" e jornais como o Diário de Notícias, O Século e O Mundo anunciaram o início de uma carreira brilhante, de enorme valor para o teatro português.

Zilda (a peça de estreia da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro), Macbeth, o Iodo e Antígona foram marcos da sua carreira e não só cimentaram Amélia Rey Colaço como uma figura ímpar do teatro português, como constituem momentos marcantes do seu percurso profissional e da História do Teatro em Portugal.

Apesar de um período mais conturbado da sua vida que não lhe permitiu exercer a sua profissão, o seu interesse pelo teatro manter-se-ia vivo, tendo Amélia Rey Colaço voltado a pisar os palcos em 1985 com o espectáculo "El-Rei Sebastião", de José Régio, encenado por Carlos César. Fez também uma incursão pela televisão, na série da RTP "Gente fina é outra coisa", experiência que a desiludiu muito, pois o teatro era a sua verdadeira paixão. Isso veio a reflectir-se, no final da sua vida, no apoio que deu à concretização do projecto do Museu Nacional do Teatro.
Devemos a Amélia Rey Colaço, através das suas companhias, o lançamento de gerações inteiras de excelentes actores e actrizes, como Raúl de Carvalho, Maria Lalande ou Eunice Munoz, só para mencionar alguns.
É inegável o seu contributo para a cultura nacional e para a divulgação no Portugal do Estado Novo de autores proibidos pela Comissão Censória. Com grande mágoa sua, nunca conseguiu ultrapassar a censura e encenar Sttau Monteiro e Brecht, autores que muito admirava.

Assim, o Grupo Municipal do PPM - Partido Popular Monárquico, propõe que a Assembleia Municipal de Lisboa, na Sessão Ordinária de 16 de Janeiro de 2018 delibere:

1.Aprovar o voto de homenagem ao valioso contributo da Senhora Dona Amélia Rey Colaço ao Teatro e às Artes de Portugal.

Lisboa, 16 de Janeiro de 2018

Pelo Grupo Municipal do PPM

Aline Hall de Beuvink
Maria do Carmo Muñoz

Documentos
Documento em formato application/pdf Voto 007/08/PPM (Nova Versão) 107 Kb