Assembleia Municipal de Lisboa
Voto 020/09 (MPT) - Homenagem à escritora Natália Correia, na Passagem dos 25 anos da sua morte
24-04-2018

Agendado: 24 de Abril de 2018
Debatido e votado: 24 de Abril
Resultado da Votação: Aprovado por unanimidade e aclamação
Passou a Deliberação: 173/AML/2018
Publicação em BM:BM nº 1267

VOTO DE LOUVOR

"Homenagem à escritora Natália Correia, na Passagem dos 25 anos da sua Morte"

Natália Correia foi uma poeta (a própria recusava ser classificada como poetisa por entender que a poesia era assexuada), dramaturga e romancista açoriana, nascida na Fajã de Baixo, Ponta Delgada, na Ilha do Arcanjo, a 13 de Setembro de 1923.

É a autora da letra do Hino dos Açores. Aí se clama "Liberdade, justiça e razão / estão acesas no alto clarão /da bandeira que nos guia."

O sentimento de ilha esteve sempre presente nos contos e poemas de Natália Correia, com especial destaque para aquilo que a cada um de nós pode acontecer, como se vê no grande livro "A Ilha de Circe", ou na genial obra "Descobri que era Europeia", onde narra uma viagem a outro Continente, a América, e compara as vivências dos horizontes que podem não ter limites.

Natália era uma independentista de coração, porque na sua voz e no seu comportamento nunca teve lugar o sentimento da dependência.

Independência política. Esteve ao lado do que considerava a verdade e o caminho do progresso. Entrou para o Parlamento nacional pelas mãos do PSD de Sá Carneiro, mas tornou-se deputada independente; apoiou Soares, mas zurziu no Partido Socialista com o vigor que conhecemos.

Independência literária: Nunca se prendeu nem comprometeu com nenhum grupo literário e intelectual, daqueles que se formam para gáudio e auto-louvor dos seus membros. Ela escolhia os seus amigos, criava os seus grupos e nesta Lisboa, onde residiu desde os 11 anos, o exemplo claro e imortal foi "O Botequim".

Independência do género: Não quis nunca ser poetiza, para desespero do feminismo radical que ela sempre combateu. Foi poeta, porque, dizia, a poesia não tem género, como género não tem o espírito. E com ela a Pátria foi Mátria e foi Frátria, porque pater, mater e frater se fundem nas raízes de cada pessoa. E como a Nemésio devem os Açores a palavra açorianidade, a Natália deve a Nação a palavra Mátria que não se ficou nas elites, mas chegou à dimensão popular, havendo até ao cimo de uma das Avenidas desta cidade de Lisboa (A Duque de Loulé) um espaço de restauração e convívio com o nome de Mátria, sugerida pela própria Natália.

Literariamente é única e uma das maiores figuras do século XX, com dezenas de obras publicadas. Irreverente e livre, soube libertar o génio que em si vivia, a provar que os génios não morrem, mas também não têm lugar para nascer.

Natália Correia morreu em Lisboa, a 16 de março de 1993. Em nome dos cidadãos desta cidade, onde partiu para a Eternidade, agradecidos pela sua Obra, literária e cívica, e dos cidadãos do Povo açoriano, que aqui estudam e trabalham, o Grupo Municipal do Partido da Terra, propõe que o Plenário da Assembleia Municipal de Lisboa, na Sessão Ordinária de 24 de Abril de 2018 delibere:

Ponto único - Aprovar o voto de louvor em homenagem ao valioso contributo da Natália Correia, uma figura pioneira de referência na língua portuguesa que se adiantou ao tempo em que viveu pela sua dedicação nas mais variadas áreas, na passagem dos 25 anos da sua morte.
Lisboa, 24 de Abril de 2018

P´los Deputados Municipais do Partido da Terra

- José Inácio Faria-

Documentos
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