Assembleia Municipal de Lisboa
Voto 027/01 (PCP) - Saudação ao Movimento Associativo Popular
26-06-2018

Agendado: 26 de Junho de 2018
Debatido e votado: 26 de Junho
Resultado da Votação: Aprovado por unanimidade
Passou a Deliberação:273/AML/2018
Publicação em BM:5º Suplemento ao BM nº. 1274

Saudação ao Movimento Associativo Popular

As primeiras colectividades apareceram em Portugal pelo fim do século XVIII e início do século XIX, associado ao início da industrialização, numa realidade social em que, sem direitos, sem qualquer proteção social e com um elevado nível de analfabetismo, os operários começaram a organizar-se, para que, colectivamente pudessem responder às suas necessidades.

Foi assim que nasceram as primeiras associações de socorro mútuo na doença, as sociedades cooperativas de consumo e produção, caixas de crédito e as associações de instrução popular.

As primeiras colectividades aparecem com o objectivo da instrução e cultura, baseando-se em princípios da solidariedade e da cooperação e tornam-se, rapidamente, espaços de criatividade e espaços de recreio e de convívio dos operários e da comunidade local.

Muitas das actividades das colectividades desenvolveram-se para além da instrução. É o caso do ensino da música e da formação de bandas filarmónicas, de grupos de teatro e realização de tertúlias.

Antes do 25 de Abril de 1974, já as colectividades exerciam o direito de livre associação, de reunião, de expressão e de opinião. A prática da democracia e da liberdade era uma realidade na sua vida interna. Foram, por isso, pólos de grande resistência anti-fascista, nos tempos da ditadura fascista. E mesmo nesses momentos mais "negros", as colectividades tiveram a capacidade e a força de continuar a desenvolver as suas actividades.

Com a Revolução de Abril, o Movimento Associativo Popular conheceu um novo e diversificado crescimento, nomeadamente no que se refere às colectividades de cultura, recreio e desporto, bem como com o surgimento de associações de âmbito social, de reformados, pessoas com deficiência, associações juvenis e de estudantes, associações ambientais, associações de moradores, associações de pais, entre muitas outras.

Hoje são mais de 30.000 colectividades e associações, 425.000 dirigentes e mais de 3 milhões de associados que constituem o Movimento Associativo Popular no nosso país, um espaço de formação pessoal e cívica, de aprendizagem e exercício dos valores democráticos, da participação e da liberdade.

É evidente o papel inestimável que o Movimento Associativo Popular tem tido na dinamização de actividades culturais, desportivas e de recreio, bem como na garantia do acesso à cultura e ao desporto - não raras vezes, é no seio destas associações que as comunidades locais e populações encontram espaço para a prática desportiva e para a criação e fruição cultural - além da participação noutras dimensões da vida local, como na acção social e cooperação, na educação e juventude.

É inegável a significativa proximidade que o Movimento Associativo Popular tem às comunidades onde se insere, bem como, fruto dessa mesma proximidade, o conhecimento das necessidades, vivências e realidades das comunidades locais, partilhando as suas preocupações e encontrando soluções para a sua resolução, contribuindo para o desenvolvimento local.

As Festas de Lisboa são um ponto alto na vida cultural da cidade contribuindo para a promoção social e turística da nossa Cidade e o êxito da vertente popular destas festas deve-se no fundamental, às Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto;

Os seus dirigentes, sócios e amigos desenvolveram um imenso trabalho, de valor incalculável, na construção, animação e funcionamento dos Arraiais Populares, dos festejos populares e na preparação das Marchas de Lisboa, bem como existiu uma enorme dedicação dos seus marchantes e voluntários. É lamentável que as associações e colectividades organizadoras das marchas tenham sido omitidas e esquecidas aquando da apresentação das Marchas no Altice Arena e, pela RTP, na Avenida da Liberdade;

Assim o Grupo Municipal do Partido Comunista Português propõe que a Assembleia Municipal de Lisboa, na sua sessão ordinária realizada em 26 de Junho de 2018, delibere:

1. Saudar as Colectividades da cidade de Lisboa e os seus dirigentes pelo trabalho, voluntário e benévolo, que desenvolvem ao serviço das populações na promoção da cultura e do desporto e na defesa dos valores do associativismo popular;
2. Saudar as Colectividades de Lisboa e as suas Estruturas Representativas pela participação nas Festas de Lisboa e, através delas, todos os dirigentes e sócios que contribuíram, com o seu trabalho voluntário, para o sucesso dos festejos populares e das Marchas de Lisboa;
3. Saudar todos os participantes, marchantes, ensaiadores e construtores das Marchas de Lisboa.
4. Exortar a RTP e a EGEAC para que garantam que, nas apresentações públicas das próximas edições das Marchas Populares de Lisboa, sejam mencionadas quais as colectividades e associações organizadoras de cada marcha ;
5. Enviar esta saudação para:
Confederação das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto
Federação das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto do Distrito de Lisboa
Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa
RTP - Rádio Televisão Portuguesa
EGEAC

Pelo Grupo Municipal do Partido Comunista Português
O Deputado Municipal

- António Modesto Navarro -

Documentos
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