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Centro Interpretativo do Parque das Nações
27-02-2018

Debatido e votado: 27 de Fevereiro de 2018
Aprovado por unanimidade

Há 20 anos a Cidade de Lisboa preparava-se para abrir as portas da Expo 98 e receber o Mundo numa Exposição Mundial dedicada ao tema: "Os Oceanos, um Património para o Futuro"

Para além de ter sido um enorme sucesso, que permitiu mostrar ao Mundo como os Portugueses conseguem grandes feitos quando se empenham num determinado objetivo, permitiu recuperar e urbanizar uma parte da Cidade que estava entregue a indústrias pesadas e obsoletas, a zona de lixeiras e outros depósitos de materiais diversos em fim de vida.

A Parque EXPO foi a empresa incumbida de pôr em prática a tripla tarefa de implementar a Exposição Mundial de 1998, de promover a operação de revitalização urbana e ser a gestora do espaço público desde o seu início.

Foi, sem dúvida, um dos mais importantes marcos da história do empreendedorismo português, um ponto de viragem que assinalou o início de uma nova era da auto-estima nacional e a afirmação e visibilidade de Portugal no Mundo.

Todo esse processo ficou documentado em vídeos, fotografias, maquetes que permitem dar a conhecer toda a enorme obra que foi levada a cabo naquela zona da Cidade e que em muitos campos foi tida como um exemplo internacional a seguir por outros Países que pretendessem recuperar zonas degradadas.

Desde a sua construção que aquele espaço é visitado por delegações de Países que pretendem saber mais sobre o projecto e sobre a reconversão urbanística levada a cabo em tão pouco espaço de tempo numa zona então esquecida pela Cidade.

Também os Portugueses que nasceram desde/por volta de 1998 desconhecem, na sua maioria, a transformação que ali ocorreu.

Para que esse conhecimento fosse passado às novas gerações e a todos os interessados de todo o Mundo a Parque Expo criou, em 2015, a Exposição "A Cidade Imaginada", uma retrospectiva da intervenção arquitectónica, urbanística e ambiental do território que é hoje o Parque das Nações, um modelo de referência internacional.

Essa Exposição foi criada numa sala do Torreão Norte do Pavilhão de Portugal e teve nos primeiros 7 meses 25.000 visitantes, sucesso que fez com que reabrisse, no mesmo local, meses depois.

Ficou bem demonstrado logo na 1ª fase da Exposição que era muito importante que um espaço com estas características passasse a ter um carácter permanente.

Como é do conhecimento público a empresa Parque Expo ia encerrar a sua actividade e aí surgiu o fantasma do encerramento definitivo do espaço.

Para contrariar essa situação a Associação de Moradores ACIPN - A Cidade Imaginada Parque das Nações e alguns moradores com especial foco para José Baltazar, eleito na AFPN, iniciaram contactos com a Parque Expo sobre a possível continuidade da Exposição para lá da extinção da Parque Expo.

Nos contactos realizados, assegurou-se que a Universidade de Lisboa (que recebera o Pavilhão para o gerir) não se opunha à existência daquele espaço com a Exposição daquela temática sendo elaborado um protocolo, que infelizmente não veio a ser possível implementar pois não foi possível encontrar, em tempo útil, um patrocinador que assegurasse os custos de funcionamento do espaço.

Goradas essas tentativas de encontrar patrocinadores foi decidido entregar o processo quase fechado à Junta de Freguesia do Parque das Nações para que esta pudesse mantê-lo em funcionamento. E assim foi. Foi celebrado um protocolo que previu a passagem da gestão do espaço para a Junta a partir de 1 de Outubro de 2016 e o Centro Interpretativo manteve-se a funcionar durante um ano.

Infelizmente tomámos conhecimento que o anterior executivo decidiu encerrar, com carácter definitivo, o Centro Interpretativo. Sem que nada o fizesse supor, este espaço desapareceu.

Não existe qualquer garantia de que o espaço venha a reabrir depois das obras que irão decorrer no Pavilhão de Portugal, apenas de que há uma intenção e disponibilidade da Universidade de Lisboa de ter um espaço expositivo dedicado à Expo 98, situação que nos agrada, mas não garante que na realidade tal situação venha a ocorrer.

Nesse sentido, o Grupo Municipal do CDS-PP propõe à Assembleia Municipal de Lisboa que, na sua sessão de 27 de Fevereiro, recomende à Câmara Municipal de Lisboa que:

1. Inicie, de imediato, contactos com a Universidade de Lisboa para assegurar a abertura de um espaço semelhante ao que existia, envolvendo a Junta de Freguesia do Parque das Nações;

2. Assegure a preservação do espólio do Centro Interpretativo, de forma a que seja reposto no local, assim que possível;

3. Aproveite para enriquecer o espólio da Exposição com diversos materiais que foram entregues pela Parque Expo ao Museu da Cidade;

4. Seja equacionada a abertura de uma segunda sala, existente por cima da actual e que se encontra em estado bruto, de forma a criar mais espaço para Exposições e que permita a existência de uma sala capaz de acolher alguns pequenos eventos relacionados com a temática daquele espaço.

Lisboa, 22 de Fevereiro de 2018

O Grupo Municipal do CDS-PP
Diogo Moura