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Voto de pesar por Vasco Pulido Valente
26-02-2020

Votado em 27 de Fevereiro de 2020
Aprovado por unanimidade

Livre e respeitador da liberdade dos outros, génio, especial, peculiar, implacável, pessimista, inteligente, culto, acutilante, arguto, irónico, corajoso e polémico foram algumas das palavras que podemos ler na opinião publicada nos últimos dias. Vasco Pulido Valente era tudo isso e até outros adjectivos, contundentes, eram possíveis para quem criticou quase tudo e todos desassombradamente.

Nascido em 21 de Outubro de 1941, cursou Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde participou nas lutas académicas contra o Estado Novo.

Em 1974 doutora-se, em História, na Universidade de Oxford (Reino Unido) com uma tese intitulada O Poder e o Povo: a revolução de 1910.

Leccionou em diversas Universidades, tendo sido investigador coordenador do Instituto de Ciências Socias da Universidade de Lisboa.

Entre 1973 e 2018 publicou mais de duas dezenas de obras no campo da história, política e biografia e foi co-argumentista dos filmes O Cerco, de António da Cunha Telles (1970) e Aqui d'El Rei!, de António Pedro Vasconcelos (1992) e argumentista do filme O Delfim, de Fernando Lopes (2002).

Teve intervenção política após a vitória da Aliança Democrática, nas eleições legislativas de 1979, integrando o VI Governo Constitucional, dirigido por Francisco Sá Carneiro, como Secretário de Estado da Cultura. Em 1986 foi apoiante de Mário Soares na sua primeira candidatura presidencial. Em 1995 foi eleito deputado à Assembleia da República, pelo Partido Social Democrata aí permanecendo somente quatro meses, tendo-se demitido solidário com a saída de Fernando Nogueira.

Como comentador político influenciou e marcou as várias gerações que, do pós-25 de Abril à actualidade, se habituaram à sua escrita elegante alicerçada numa lucidez e argúcia ímpares com que esgrimia argumentos sobre o presente, nas páginas dos jornais O Independente, Expresso, O Tempo, Diário de Notícias, Público, Observador e a revista Kapa. Foi também comentador do Jornal Nacional (TVI). Como escreveu Henrique Raposo no Expresso: «Quem acredita na liberdade deve muito ao colunismo político de VPV».

Historiador, ensaísta, professor, jornalista e analista político, Vasco Pulido Valente foi, sobretudo, um homem livre. Livre das convenções do politicamente correcto, livre da necessidade geral de agradar a quem o ouvia, livre das amarras de quem espera reconhecimento, desafiou com liberdade a classe política e agitou com humor as concepções dominantes.

Ficará gravado na nossa memória colectiva como um pensador notável e um embaixador invulgar da língua portuguesa.

Vasco Pulido Valente marcou profundamente o seu tempo, e a sua partida, aos 78 anos, representa uma perda irreparável na vida política e cultural portuguesas.

Assim, a Assembleia Municipal de Lisboa, reunida a 27 de Fevereiro de 2020:
Presta homenagem a Vasco Pulido Valente, guarda um minuto de silêncio em sua memória e endereça à família, em especial à sua mulher Margarida Bentes Penedo, as mais sentidas condolências.

Lisboa, 24 de Fevereiro de 2020

O Grupo Municipal do CDS/PP
Diogo Moura

O Grupo Municipal do PPD/PSD
Luís Newton

O Grupo Municipal do PPM
Aline de Beauvink

O Grupo Municipal do MPT
José Inácio Faria

O deputado municipal independente
Rodrigo Mello Gonçalves