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Voto de pesar por Joel Pina
21-02-2021

Debatido e votado em 23 de Fevereiro de 2021
Aprovado por unanimidade
Subscrito pelo PS, PPM e 1 DMI.

Joel Pina (nome artístico de João Manuel Pina) desde cedo manifestou gosto pela música. Autodidacta, em criança, a partir da sua capacidade de observação e intuição, começou a expressar-se pelo dedilhar talentoso das cordas, primeiro no bandolim, depois viola, guitarra e viola baixo, instrumento que lhe deve muito no que diz respeito à afirmação no acompanhamento do fado.

Nasceu no Rosmaninhal (Idanha-a-Nova) a 17 de Fevereiro de 1920. Na sua maioridade estabeleceu-se em Lisboa, já apreciador de fado, género musical da sua eleição e que mais o emocionava, aprofundou afinidades no universo fadista, em casas como o Café Luso que frequentava assiduamente. Profissionalizou-se em 1949, ano em que integrou o Quarteto Típico de Guitarras de Martinho de Assunção, a convite deste. Outra casa de fado que ganhou importância, a partir de 1950, no seu percurso musical foi a Adega Mesquita, mantendo-se cerca de dez anos no seu elenco e onde começou a tornar habitual a viola baixo no acompanhamento do fado, até então pouco frequente.

Ao longo da sua vida cruzou-se com inúmeros músicos, sendo exaustivo elencar todos, destacam-se nesta ocasião Raúl Nery, Fontes Rocha e Júlio Gomes, com quem foi fundador do Conjunto de Guitarras, que conquistou forte presença no meio radiofónico de então e suscitou a gravação de múltiplos discos. Integrado no referido conjunto acompanhou vozes excepcionais, como as de Maria Teresa de Noronha e Amália Rodrigues. Tornou-se músico deste nome maior do fado, e da música em geral, com regularidade desde 1966, durante quase trinta anos percorreram literalmente os cinco continentes do mundo. Considerou o "século XX, o século da Amália", síntese da forma como foi marcado profundamente pela artista.

Com oito décadas de vida artística, o que só por si é notável, foi reconhecido pelo Estado Português que em 1992 lhe atribuiu a Medalha de Mérito Cultural e em 2012 a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Nesse mesmo ano recebeu ainda a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa. Joel Pina, um exemplo de talento, simplicidade, cordialidade, vitalidade, conhecimento e sabedoria. Apreciado e acarinhado por diversas gerações, nomeadamente as que de perto vivem o fado.

Deixou-nos fisicamente no passado dia 11 de Fevereiro. Tocou até ao fim e a sua música permanecerá. Por todo o lado e em todos nós. Lisboa, o País, a Cultura, o Fado que é também Património Cultural Imaterial da Humanidade e que o homenageado ajudou a consagrar, ficam mais pobres.

Assim a Assembleia Municipal de Lisboa, reunida a 23 de Fevereiro de 2021, delibera:
• Prestar homenagem ao Professor Joel Pina, guardar um minuto de silêncio em sua memória e endereçar à família e seus admiradores, as mais sentidas condolências;
• Propor a atribuição do seu nome na toponímia da Cidade ou num equipamento e espaço que honre a sua memória e legado;
• Enviar o presente voto ao Museu do Fado.

Lisboa, 20 de Fevereiro de 2021

O Grupo Municipal do CDS-PP
Diogo Moura