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Página do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
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Voto 065/19 (PEV) – Voto de Pesar “Joaquim Pessoa - poeta e artista plástico”
18-04-2023

Agendado: 65.ª Reunião - 2ª Reunião da Sessão Ordinária de Abril, 18 de Abril de 2023
Debatido e votado: 65.ª Reunião - 2ª Reunião da Sessão Ordinária de Abril, 18 de Abril de 2023
Resultado da votação: APROVADA por UNANIMIDADE

“Um mundo de palavras. Língua que lambe o universo para espanto da imobilidade das estrelas”

Faleceu ontem, dia 17 de Abril, em Lisboa, Joaquim Maria Pessoa, nascido no Barreiro em 22 de Fevereiro de 1948.

Poeta, artista plástico, publicitário e estudioso de arte pré-histórica portuguesa, iniciou a sua carreira de escrita em ‘O Juvenil’, suplemento literário do jornal “Diário de Lisboa” dirigido por Mário Castrim e Alice Vieira. Na fase inicial do seu trabalho como poeta foi editado principalmente pela Moraes Editores, tendo o seu primeiro livro “O Pássaro no Espelho” sido editado em 1975.

Com formação na área de marketing e da publicidade, foi director criativo e director-geral de várias agências de publicidade e autor ou co-autor de diversos programas de televisão (1000 Imagens, Rua Sésamo, 45 Anos de Publicidade em Portugal, entre outros). Foi ainda director pedagógico e professor da cadeira de Publicidade no Instituto de Marketing e Publicidade, em Lisboa, e professor no Instituto Dom Afonso III, em Loulé.

Joaquim Pessoa desempenhou durante seis anos (1988-1994) o cargo de director da Sociedade Portuguesa de Autores, da qual permanecera beneficiário desde Maio de 1975 e seu cooperador desde Março de 1976. Desempenhou o cargo de director literário da Litexa Editora, director do jornal “Poetas & Trovadores”, colaborador das revistas “Sílex” e “Vértice” e do jornal “A Bola”. Em colaboração com Luís Machado, organizou em 1983 o I Encontro Peninsular de Poesia, que reuniu prestigiados nomes da poesia ibérica.

Da sua extensa bibliografia contam-se mais de três dezenas de livros publicados, para além de inúmeras participações em antologias ou como antologiador, tradutor/adaptador e poesia gravada em disco. Foram os compositores e cantores que o levaram ao conhecimento do grande público, musicando e interpretando poemas seus. Nas palavras de David Mourão-Ferreira, Joaquim Pessoa teve “um papel muito importante no movimento renovador da canção portuguesa” ou, nas de Fernando Dacosta, “herdeiro de linhas riquíssimas da cultura portuguesa, Joaquim Pessoa afirmou-se pela luminosidade da sua escrita, pelo domínio da sua pintura, pela subtileza da sua inquietação, um autor irrecusável no panorama cultural português”.

Contando com mais de 600 recitais da sua poesia, realizados em Portugal e no estrangeiro, foi um dos fundadores da cooperativa artística Toma Lá Disco, com Ary dos Santos, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho e Luiz Villas-Boas, entre outros. Tendo como temáticas mais vincadas Lisboa, o amor, a liberdade e as desigualdades sociais, os seus poemas foram palavra de muitos sucessos musicais, musicados e interpretados por Carlos Mendes, como é o caso de “Amélia dos olhos doces”, bem como de “Lisboa, menina e moça”, criada em parceria com José Carlos Ary dos Santos e Fernando Tordo.

Entre outros, também interpretaram poemas seus Carlos do Carmo, Jorge Palma, José Mário Branco, Kátia Guerreiro, Lúcia Moniz, Manuel Freire, Paco Bandeira, Rui Veloso, Samuel, Tonicha, Tozé Brito e Vitorino Salomé.

Como artista plástico, começou a expor em 1998, estando representado em várias colecções públicas e privadas e realizado múltiplas exposições individuais e colectivas, tendo produzido cerca de duas centenas de obras, entre desenhos, pintura de acrílico sobre óleo e papel e colagens com papel reciclado pintado, na qual a sua pintura não é totalmente independente da sua poesia. Na linguagem pictórica está representado em várias colecções públicas, nomeadamente nas Câmaras Municipais de Sintra, Cascais, Serpa e Arruda dos Vinhos, entre outras.

Apoiante da CDU, viu o seu nome ser atribuído a topónimos de arruamentos na Baixa da Banheira (concelho da Moita) e no Poceirão (concelho de Palmela). Em sua homenagem a Câmara da Moita criou um prémio anual de poesia com o nome do autor.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta do Partido Ecologista Os Verdes:

1 - Manifestar a sua consternação e profundo pesar pelo falecimento do poeta e artista plástico Joaquim Pessoa.
2 - Prestar as mais sentidas condolências, guardando um minuto de silêncio em sua memória.
3 - Remeter o presente voto de pesar à Presidência da República, aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República, ao Ministério da Cultura, à Sociedade Portuguesa de Autores, à RTP, à Editora Edições Esgotadas e, por seu intermédio, à família enlutada, à CML e todos os seus vereadores.

Assembleia Municipal de Lisboa, 18 de Abril de 2023
O Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes

Cláudia Madeira
J. L. Sobreda Antunes

Documentos
Documento em formato application/pdf 20230418 Voto de Pesar Joaquim Pessoa - poeta e artista plástico458 Kb