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Página do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
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Recomendação 073/01 (PEV) - "Homenagem toponímica à actriz Fernanda Lapa"
22-05-2023

Agendado: 73ª Reunião, 6 de Junho de 2023
Debatido e votado: 73ª Reunião, 6 de Junho de 2023
Resultado da votação: APROVADA com abstenção do PPM e Chega

«Tenho dedicado toda a minha vida profissional à Cultura e à Arte, a tentar produzi-las, fruí-las e pensá-las», Fernanda Lapa, 2018

Maria Fernanda Mamede de Pádua Lapa, mais conhecida como Fernanda Lapa (nascida a 11 de Maio de 1943 e falecida a 6 de Agosto de 2020), desde cedo soube que o Teatro seria a sua vida. Eterna apaixonada pelo Teatro, foi actriz, encenadora, professora, ou ainda, directora artística da ‘Escola de Mulheres - Oficina de Teatro’.

Começou a encenar muito nova, num meio dominado por homens, alcançando um vasto currículo nos palcos, na televisão e no cinema, tendo iniciado o seu percurso artístico no Teatro dos Alunos Universitários de Lisboa (T.A.U.L), em 1962.

Foi fundadora da Casa da Comédia onde se estreou como actriz, em 1963, sob a direcção de Fernando Amado, na peça de Almada Negreiros ‘Deseja-se Mulher’, tendo-se estreado como encenadora com essa mesma peça, também na Casa da Comédia, em 1972.

Com um bacharelato em Serviço Social, obtido no Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa, onde conheceu e teve como professor o médico e dramaturgo Bernardo Santareno, alcança uma bolsa da Secretaria de Estado da Cultura em 1979, que a levou a frequentar a Escola Superior de Encenação de Varsóvia. Nesta escola diplomou-se em Encenação, realizando em seguida estágios no Teatro Laboratório de Grotowski, no Teatro Contemporâneo de Wroclaw e no Teatro Stary de Cracóvia.

Além de ter ministrado acções de formação no Chapitô e ter lecionado na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (curso de Mestrado em Estudos Teatrais), na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa, foi, até Agosto de 2012, Professora Catedrática Convidada e Directora do Conselho do Departamento de Artes Cénicas da Universidade de Évora - Licenciatura e Mestrado, bem como na Escola Profissional de Teatro de Cascais (Intérpretes) e na Universidade Intergeracional (UNIESTE).

Atriz multifacetada, o seu curriculum abrange óperas, peças de teatro e teatro-dança. Dirigiu espectáculos de Teatro, Teatro-Dança e Ópera tornando-se numa das encenadoras mais conceituadas do País. Interpretou autores como Jean Cocteau, Copi, August Strindberg ou Arthur Miller. Desenvolveu, ao longo da sua carreira, acções pedagógicas na área do Teatro e do Cinema e trabalhou como actriz em Teatro, Televisão e Cinema.

Com a ‘Escola de Mulheres - Oficina de Teatro’, projecto que fundou com Isabel Medina em 1995, privilegiou a criação feminina no teatro, procurando dar uma imagem da mulher consentânea com a realidade, a par da luta pela igualdade e pela democratização da cultura.
Neste contexto, defendeu sempre, pelas suas próprias palavras, que “o Teatro reflecte todas as contradições, avanços e recuos do papel da Mulher na Sociedade Contemporânea. Ao longo dos séculos, a voz das Mulheres foi silenciada em várias áreas, e também na Cultura, e não vale a pena escamotear esta realidade. Sofremos, ainda, as sequelas dessas mordaças, embora muito se tenha avançado, a partir do 25 de Abril em Portugal, pela luta das forças progressistas, mas sobretudo das próprias Mulheres e das suas Organizações”.

Em 2005, a Escola de Mulheres produziu o espectáculo BernardoBernarda, com excertos da obra de Bernardo Santareno, onde pretendia dar a conhecer ao público o Homem Bernardo Santareno/António Martinho do Rosário. Em 2019, Fernanda Lapa quis voltar a celebrar o Autor e o seu carinho enorme pelos marginalizados, categoria em que ele próprio se inseria, lançando-se na coordenação das Comemorações Nacionais do Centenário de Bernardo Santareno (1920-2020).

Nomeada para os “Sete de Ouro” em 1984, 1990 e 1991, recebeu o “Sete de Ouro” para a melhor encenação em 1992 e Prémio da Crítica para a Encenação em 1992 com “Medeia é Bom Rapaz”. Foi ainda nomeada para os “Globos de Ouro” (Prémio SIC na modalidade de Teatro) em 1996, tendo recebido o Prémio Especial “Procópio” em 1999. Em 2005 recebeu o Globo de Ouro - Melhor Espectáculo - pela produção de ‘A Mais Velha Profissão’ de Paula Vogel, tendo também sido distinguida com a Medalha de Ouro de Mérito Cultural do Ministério da Cultura.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta do Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes, recomendar à CML que:

1 - Preste reconhecimento ao relevante trabalho desempenhado por Fernanda Lapa nas áreas da Cultura e da Arte, nas Artes Cénicas, e no Teatro, em particular.
2 - Pondere preservar na toponímia de Lisboa uma justa homenagem à actriz Fernanda Lapa.
Mais delibera ainda:
3 - Enviar a presente saudação à CML e todos os seus vereadores, à Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, à ‘Escola de Mulheres - Oficina de Teatro’ e ao Movimento Democrático de Mulheres (MDM).

Assembleia Municipal de Lisboa, 22 de Maio de 2023

O Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes
Cláudia Madeira
J. L. Sobreda Antunes

Documentos
Documento em formato application/pdf 20230522 Recomendação Homenagem toponímica à actriz Fernanda Lapa263 Kb