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Página do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
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Recomendação 081/08 (PEV) - Reforço do Serviço Itinerante de Bibliotecas da Rede BLX
12-09-2023

Agendado: 81ª Reunião, 12 de Setembro de 2023
Debatido e votado: 81ª Reunião, 12 de Setembro de 2023
Resultado da votação: APROVADA por MAIORIA com voto contra do Ch e abstenção do CDS

A Biblioteca Itinerante do Município de Lisboa é herdeira das Bibliotecas de Jardim inauguradas em jardins na década de ’20 do século passado, como o da Estrela e do Campo Grande, compostas por um pequeno armário, com vários livros, que podiam ser lidos no local, ao ar livre.

De acordo com o Município de Lisboa, em 1953 o escritor Branquinho da Fonseca criou uma biblioteca ambulante (composta por um atrelado puxado pelo seu próprio carro), bem antes do surgimento das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), a partir de 1958. Ambas as iniciativas prosseguiam o intuito de fazer chegar os livros e o hábito de leitura a todas as pessoas, nomeadamente a algumas das zonas mais desfavorecidas.

Como Lisboa não fazia parte do itinerário da FCG, a CML inaugurou em 1961 o seu próprio Serviço de Bibliotecas Itinerantes, de modo a permitir um fácil acesso à cultura, e a prestar serviço de consulta e de empréstimo domiciliário, apoiadas por um técnico e um motorista, que percorriam Lisboa com o objectivo de “(...) alargar a todos os bairros a sua acção cultural, elevar o nível cultural e recrear”.

Inicialmente foram criadas duas Bibliotecas Itinerantes, com dois itinerários distintos e que estacionavam nos bairros mais populosos da cidade. Atendendo ao interesse que rapidamente despertou, foram adquiridas duas viaturas para estas bibliotecas, uma em 1962 e a outra em 1965, alargando para 48 o número de locais de estacionamento. Até há década passada foram regularmente mantidos dois percursos diferentes, estacionando em 13 locais, com rotação quinzenal, ou seja, regressando duas vezes por mês ao mesmo local.

Ao longo dos anos, a biblioteca foi actualizando o seu veículo que começou por ser uma carrinha Citroen HY 1500, substituída depois por uma moderna Iveco, onde uma equipa alargada e computadores ligados à rede, ajudavam a transportar a sua missão para a actualidade. A sua missão permaneceu centrada na ideia de ir ter com as pessoas, desde grupos com maiores dificuldades no acesso às bibliotecas, como hospitais, centros de detenção de jovens ou até o Estabelecimento Prisional da Polícia Judiciária, locais incluídos na sua rota diária.

A mobilidade destas carrinhas permitia-lhe, também, servir de extensão de apoio às actividades promovidas fora de portas pelas outras bibliotecas da Rede BLX. Mais de meio século decorrido, e até ao início da pandemia de COVID-19, a Biblioteca Itinerante ficou reduzida a uma carrinha de 7 metros, equipada com estantes, bancos-gaveta, mesas dobráveis e extraíveis, computadores, Wi-Fi e balcão de atendimento. Depois de o serviço ter estado temporariamente interrompido, devido a esse período pandémico, recentemente a viatura regressou, dentro das actuais disponibilidades, a oferecer um ainda limitado circuito em espaço público.

Os Verdes consideram que apesar da existência de bibliotecas fixas e com acesso à Internet na capital, mantém-se toda a conveniência no reforço da prestação deste serviço de proximidade, nomeadamente, viabilizando serviços de leitura em bairros mais desfavorecidos no acesso à cultura.

Considerando que em Dezembro de 2022 o GM do PEV apresentou uma Recomendação sobre as Bibliotecas Itinerantes da Rede BLX que foi aprovada por maioria, Os Verdes reiteram esta proposta, tendo em conta o papel fundamental que as bibliotecas municipais desempenham, enquanto agentes culturais privilegiados, bem como, as unidades móveis que delas podem depender, pela sua natureza dinâmica, informal e flexível, e por reunirem as melhores condições para ampliar e complementar a acção das restantes unidades municipais.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta do Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes, recomendar à Câmara Municipal de Lisboa que:

1 - Reconheça as potencialidades e valorize as competências deste serviço biblioteconómico de proximidade, nomeadamente, em bairros mais desfavorecidos e dele carenciado, garantindo aos cidadãos o acesso à cultura e à leitura pública.

2 - Pondere o reforço de unidades móveis itinerantes, com os respectivos meios técnicos e humanos, por forma a que este serviço possa funcionar com a devida regularidade e itinerância, pelos bairros mais prioritários, jardins públicos, proximidade de escolas e, eventualmente, de apoio a outras instituições, como hospitais e/ou prisões.

Mais delibera ainda:

3 - Enviar a presente deliberação à DGLAB - Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, à Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação (BAD), à CML e todos os seus vereadores, à Divisão da Rede de Bibliotecas da CML e ao STML.

Assembleia Municipal de Lisboa, 12 de Setembro de 2023

O Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes
Cláudia Madeira
J. L. Sobreda Antunes

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