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Página do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
A política editorial desta página é da inteira responsabilidade do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
Voto 087/05 (PEV)- Voto de Pesar "Pelas agressões e morte de jornalistas de várias agências noticiosas"
17-10-2023

Agendado: 87ª Reunião, 17 de Outubro de 2023
Debatido e Votado: 87ª Reunião, 17 de Outubro de 2023
Resultado da Votação: APROVADO com abstenção de CDS e CH

De acordo com a organização de defesa dos jornalistas, citada pela agência Lusa, pelo menos vários jornalistas foram mortos, dois ficaram feridos e outros dois estão desaparecidos na sequência dos ataques lançados por parte do Hamas e de Israel. Os números contabilizam apenas os profissionais de comunicação social que recentemente foram vítimas deste conflito, tendo sido recolhidos pelo programa Médio Oriente e Norte de África do Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).

No comunicado divulgado por esta organização sedeada em Nova Iorque, lê-se que “o CPJ sublinha que os jornalistas são civis que realizam um trabalho importante em tempos de crise e não podem ser alvo das partes em conflito”, para além de que “milhões de pessoas em todo o mundo contam com os jornalistas da região para lhes fornecerem informações precisas sobre o conflito. Os jornalistas, como todos os civis, devem ser respeitados e protegidos”.

Entre os jornalistas mortos foram identificados quatro palestinianos que morreram como resultado dos bombardeamentos israelitas em Gaza no próprio dia do ataque do Hamas e três na segunda-feira em resultado de tiroteios. Além disso, Ibrahim Qanan, correspondente da televisão jordana al-Ghad, foi ferido por estilhaços na cidade de Khan Yunis, no sul de Gaza, e Firas Lufti, correspondente da empresa privada Sky News Arabia, foi atacado pela polícia israelita em Ashkelon, Israel. Também o fotógrafo palestiniano Haitham Abdelwahid, da agência Ain Media, está desaparecido, segundo fontes citadas pelo CPJ, e o fotógrafo israelita Idan Roe, da Ynet, cuja mulher foi assassinada, foi dado como desaparecido, sendo que a sua família receia que tenha sido feito refém juntamente com a filha de 3 anos.

Ainda de acordo com um porta-voz da BBC, “uma das nossas equipas árabes da BBC News destacada em Telavive, que circulava num veículo claramente identificado como sendo da comunicação social, foi detida e agredida pela polícia israelita na passada sexta-feira, dia 13 de Setembro. O grupo de jornalistas da BBC, integrado por Muhannad Tutunji, Haitham Abudiab e restante equipa árabe da BBC dirigiam-se para um hotel quando o carro foi intercetado, tendo sido arrastados para fora do veículo - devidamente identificado com o símbolo da televisão com fita vermelha - revistados e empurrados contra uma parede, informou a própria BBC, mesmo após se terem apresentado como jornalistas da BBC e mostrado à polícia os cartões de profissionais de imprensa. Enquanto tentava filmar o incidente, um dos jornalistas foi atingido no pescoço, tendo-lhe sido arremessado o telemóvel ao chão.

Já antes, um outro fotojornalista da Reuters, Issam Abdallah, sediado em Beirute, fora vítima mortal de um ataque que também feriu outros seis jornalistas da Reuters, da Al Jazeera e da France-Presse. O repórter de imagem estava, no momento, a realizar um livestream (reportagem em directo) com os colegas Thaer Al-Sudani e Maher Nazeh, da agência Reuters.

O trabalho destes jornalistas estava, também, a ser exibido em directo na GloboNews, canal de televisão do Grupo Globo, do Brasil, que registou o momento em que a ofensiva israelita vitimou estes profissionais. Também outros dois jornalistas da Al Jazeera (Elie Brakhya e Carmen Joukhadar) e dois jornalistas da France-Presse (Christina Assi e Dylan Collins) foram feridos pelo ataque de Israel. Numa outra gravação, divulgada nas redes sociais, é possível ver um homem a tentar ajudar uma jornalista (sinalizada com um colete a dizer ‘Press’) estendida no chão.

Até ao momento, o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) já identificou pelo menos 10 jornalistas mortos em bombardeamentos indiscriminados de Israel nos últimos dias e outros desaparecidos.

Considerando que de acordo com a Lei de Imprensa, “a liberdade de imprensa abrange o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações” e que “o exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura”, e que tanto jornalistas creditados como repórteres da comunicação social devem poder informar livremente sobre as ocorrências em curso que presenciam.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta do Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes:

1 - Manifestar a sua consternação e profundo pesar, prestando as mais sentidas condolências aos jornalistas falecidos das agências Reuters, BBC, Al Jazeera e France-Presse.

2 - Guardar um minuto de silêncio em memória dos profissionais da informação mortos no exercício das suas actividades profissionais.

Mais delibera ainda:

- Enviar a presente deliberação à Secretaria de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República, ao Sindicato dos Jornalistas e, por seu intermédio, ao Comité para a Protecção dos Jornalistas, à CML e todos os seus vereadores.

Assembleia Municipal de Lisboa, 17 de Outubro de 2023

O Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes

Cláudia Madeira
J. L. Sobreda Antunes

Documentos
Documento em formato application/pdf 20231017 Voto de Pesar Pelas agressões e morte de jornalistas de várias agências noticiosas280 Kb