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Página do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
A política editorial desta página é da inteira responsabilidade do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
Voto 099/04 (PEV) - Voto de Pesar Pelo falecimento de Paula Ribas, a Rainha do Twist
11-12-2023

Agendado: 99ª Reunião, 12 de Dezembro de 2023
Debatido e Votado: 99ª Reunião, 12 de Dezembro de 2023
Resultado da Votação: APROVADO por UNANIMIDADE

Faleceu no passado dia 7 de Dezembro com 91 anos, no hospital de Cascais onde se encontrava internada, a cantora Paula Ribas, nascida em Faro, a 23 de Fevereiro de 1942, com o nome de baptismo Ilídia Dias Ribas.

Sobrinha da atriz Virgínia (1850-1922), tinha estudado piano e solfejo no Conservatório Nacional, onde foi aluna de Campos Coelho e de Marieta Amstad. O compositor Carlos Nóbrega e Sousa, amigo da família, levou-a a trocar a música clássica pela ligeira e, aos 17 anos, participou num concurso de novos talentos da então Emissora Nacional, estreando-se depois, em 1952, no programa radiofónico ‘Ouvindo as Estrelas’.

Apelidada como a 'rainha do twist’, fez sucesso na década de 1960 com êxitos como 'Vamos Dançar o Twist', construindo a sua carreira com temas como ‘Isto é Lisboa’, ‘Ai Algarve’, ‘É Assim a Madeira’ e ‘Ruas da Minha Cidade’. Em 1965 assinou contrato com a discográfica Alvorada e gravou várias versões dos grandes sucessos internacionais.

No teatro foi atração nacional na revista ‘E Viva o Velho’ (1966) da qual fizeram parte, entre outros, Costinha (1896-1976), António Mourão (1935-2013), Camilo de Oliveira (1924-2016), Luísa Durão (1899-1977) e Io Appolloni. Nesta revista interpretou o êxito ‘Maria Lisboa’, de Eduardo Damas e Manuel Paião. Na revista seguinte ‘Ri-te, Ri-te’ destacou-se com a canção ‘Quatro Estações’, de José Mesquita.

No cinema protagonizou, com António Calvário, o filme ‘O Amor Desceu de Paraquedas’ (1968), de Constantino Esteves, e ‘Férias em Portugal’, ao lado de Dalida (1933-1987) e Alberto Cortez, filme que nunca foi exibido em público. Também com Madalena Iglésias, António Silva e Tonicha, entrou em ‘Sarilho de Fraldas’ (1967), também de Constantino Esteves.

Assinou contrato com a discográfica espanhola Belter, participando nos festivais de canção de Benidorm, Málaga, Las Palmas e Orense, em Espanha. Nos começos da década de 1970, Paula Ribas viajou para S. Paulo, no Brasil, onde fixou residência durante 20 anos, tendo sido atração do programa ‘Caravela da Saudade’ da TV Tupi. Estreou-se no Brasil já com 20 álbuns e atuações em 17 países, com gravações onde cantava em várias línguas. Em 1970, participou no Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro, com ‘Canção da Paz Para Todos Nós’, de Francisco Nicholson e Jorge Costa Pinto. Foi depois contratada pelo restaurante ‘Avril au Portugal’.

Em 1974 gravou o LP ‘Fados Brasileiros’, com composições e poemas de Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, Chico Buarque, Caco Velho, Chico Alves, Caetano Veloso e Dorival Caymmi, entre outros, ao qual se seguiu ‘Portugal Hoje’, composto apenas por versões de temas de José Afonso, em colaboração com o músico Luis N'Gambi, com quem tinha casado em Angola.

Liderou o elenco do musical ‘Brasil em Três Tempos’, que esteve em cena durante 18 meses, no Hotel Nacional, no Rio de Janeiro, seguindo em digressão com o espectáculo ‘Navegar É Preciso’, que deu origem a um álbum homónimo. Em 1981, gravou o disco ‘Tudo Isto É Fado’, também com Luís N'Gambi, com quem fez ainda o álbum antológico ‘Angola - Folclore e Canções Tradicionais’, para demonstrar as afinidades musicais entre os ritmos do samba e do semba.
Ambos regressam a Lisboa em 1989, atuando todas as semanas no Restaurante ‘A Nini’. Com a editora Discossete, gravam dois álbuns contendo sucessos como ‘Amar Você’, ‘Chuvas de Verão’ e ‘Eu e Você’, uma versão do tema de Elisa na telenovela Tieta, da autoria de Renato Barros e Vadinho, editado em single pelo duo Paula Ribas e Luís N'Gambi. No lado B do disco aparece ‘Felizes Seremos’, adaptação portuguesa da música ‘Happy Together’, do conjunto californiano The Turtles.

Em Janeiro de 2015, ambos seriam homenageados em Lisboa, no Chapitô, com a participação do poeta Ricardo Maria Louro.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta do Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes:

1 - Manifestar a sua consternação e profundo pesar pelo falecimento da cantora Paula Ribas.

2 - Prestar as mais sentidas condolências, guardando um minuto de silêncio em sua memória.

Mais delibera ainda:

- Enviar o presente voto à Sociedade Portuguesa de Autores, ao Museu do Fado, à Casa do Artista e, por seu intermédio, à família enlutada, à CML e todos os seus vereadores.

Assembleia Municipal de Lisboa, 12 de Dezembro de 2023

O Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes

Cláudia Madeira
J. L. Sobreda Antunes

Documentos
Documento em formato application/pdf 20231212 Voto de pesar Paula Ribas a rainha do twist158 Kb
Documento em formato application/pdf Agradecimento Voto n.º 099-04 (PEV) e 099-05 (PEV)293 Kb