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Página do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
A política editorial desta página é da inteira responsabilidade do Grupo Municipal do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
Voto 099/05 (PEV) - Voto de Pesar Pelo falecimento de Teresa Silva Carvalho
11-12-2023

Agendado: 99ª Reunião, 12 de Dezembro de 2023
Debatido e Votado: 99ª Reunião, 12 de Dezembro de 2023
Resultado da Votação: APROVADO por UNANIMIDADE

Faleceu no passado dia 7 de Dezembro, em Lisboa, com 88 anos, a compositora, cantora e professora Teresa Silva Carvalho, nascida em Lisboa em 8 de Setembro de 1935, que se destacou no fado e na música popular portuguesa como uma talentosa intérprete que emprestou a voz a versões de temas seleccionados entre os melhores autores da poesia e da música nacionais.

Recebeu aulas de canto com Maria Amélia Duarte D’Almeida, prosseguindo mais tarde os seus estudos académicos na Escola de Hotelaria e Turismo, tendo sido professora de música no Instituto Vaz Serra, em Cernache do Bonjardim.

O início do seu percurso artístico teve um primeiro impulso quando se apresentou ao vivo, pela primeira vez, com 18 anos, integrada num espectáculo de beneficência em Fão, Ofir, no concelho de Esposende, distrito de Braga. Um novo marco para a sua carreira artística foi a participação no programa ‘Nova Onda’ da ex-Emissora Nacional, dirigido por Maria Leonor (1920-1988), que apresentava novas revelações que interpretavam temas portugueses e estrangeiros, e onde cantou ‘Sur ma vie’ (um êxito de Charles Aznavour) e ‘O Fado do Castanheiro’, de autoria de João de Vasconcelos e Sá, com música de Pedro Rodrigues e popularizada na voz da Maria Teresa de Noronha.

Em 1965 partiu para o Brasil para participar na ‘Expo Portugal de Hoje’, no Rio de Janeiro, tendo a sua estreia televisiva acontecido neste país sul-americano, e apresentando-se ao vivo em diversos restaurantes típicos portugueses.

De regresso a Portugal, o fadista João Ferreira-Rosa (1937-2007) convidou-a para fazer parte do elenco da casa de fados ‘Taverna do Embuçado’, no bairro lisboeta de Alfama, integrando o elenco profissional durante vários anos.

Grava os seus primeiros EP em 1969 para a editora Tecla com o título ‘Sol nulo dos dias vãos’, a que se seguiria ‘Um pouco mais de sol’ e o álbum homónimo ‘Teresa Silva Carvalho’, no qual reuniu temas dos dois primeiros discos. Para a Valentim de Carvalho grava o EP ‘Amor tornado momento’, onde apresenta o poema ‘Amar’ de Florbela Espanca, que a própria musicou.

Teresa Silva Carvalho aliava a escolha rigorosa do repertório poético à sua extraordinária capacidade interpretativa, mas, também, ao seu potencial enquanto compositora. Assim, musicou poemas dos mais destacados autores portugueses como ‘Sonho de Incerteza’ (de Antero de Quental), ‘Pescador da Barca Bela’ (de Almeida Garrett), ‘Árvores do Alentejo’ (de Florbela Espanca), ‘Canção de Primavera’ e ‘Lamento’ (de José Régio), entre outros. Colaborou com José Afonso no álbum ‘Eu vou ser como a Toupeira’ (1972). Em 1976 edita vários EP e o LP ‘Fados’ pela editora Orfeu.

Do seu repertório constam, entre outros temas, ‘Canção Grata’, um poema de Carlos Queiroz que ela própria musicou, ou ‘Ó Rama, ó que Linda Rama’, do Cancioneiro tradicional alentejano. O seu álbum “Ó Rama, ó que Linda Rama” (1977), produzido por Vitorino, foi um estrondoso sucesso que incluía canções como ‘Mas que Fresca Mondadeira’, de Francisco Martins Ramos, ‘Litania para um Amor Ausente’, de Luigi Pignatelli (pseudónimo de Luís Oliveira de Andrade), ambas com música de Vitorino, e várias canções de José Afonso, como ‘Canto Moço’, ‘Redondo Vocábulo’, ‘Mulher da Erva’ e ‘Verdes são os campos’.

Nesse ano participa no ‘Festival RTP da Canção - As Sete Canções’, com ‘Canção sem grades’ (Rita Olivais/ Manuel José Soares), que será editada em single, tendo como lado B o tema ‘Ícaro’ (José Régio/José Luís Tinoco). Volta a participar no Festival RTP da Canção em 1979, com o tema ‘Cantemos até ser dia’, de autoria de Pedro Osório, que contava no coro com as vozes de Maria do Amparo, Carlos Alberto Moniz e Samuel. Após o êxito de ‘Ó Rama, que Linda Rama’ realizou várias digressões, continuando a participar em diversos concertos, aparecendo pontualmente em programas televisivos e diversas tournées, nomeadamente junto das comunidades portuguesas nos Estados Unidos e no Canadá.

Já na década de 1990, apesar de afastada do mundo da música e do espectáculo, a fadista grava em 1994 um último álbum, ‘Canções Gratas’, editado em formato CD pela Strauss, que, para além de temas anteriores, incluía alguns inéditos e versões dos repertórios de José Afonso, como ‘Vejam Bem’, e ‘A Noite do Meu Bem’ da brasileira Dolores Duran.

Recebeu o Prémio de Imprensa na categoria Revelação (Fado), atribuído em 1970 pelo Sindicato dos Jornalistas. Como escreveu Ary dos Santos na contracapa de um dos seus discos “Teresa Silva Carvalho não é apenas um caso do Fado. É também um caso da Poesia. (…), um talento tão sensível quanto inteligente, a delicadeza de uma expressão tão musical quanto poética”.

Neste sentido, a Assembleia Municipal de Lisboa delibera, na sequência da presente proposta do Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes:

1 - Manifestar a sua consternação e profundo pesar pelo falecimento da compositora e fadista Teresa Silva Carvalho.

2 - Prestar as mais sentidas condolências, guardando um minuto de silêncio em sua memória.

Mais delibera ainda:

- Enviar o presente voto à Sociedade Portuguesa de Autores, ao Museu do Fado, à Casa do Artista e, por seu intermédio, à família enlutada, à CML e todos os seus vereadores.

Assembleia Municipal de Lisboa, 12 de Dezembro de 2023

O Grupo Municipal do Partido Ecologista Os Verdes

Cláudia Madeira
J. L. Sobreda Antunes

Documentos
Documento em formato application/pdf 20231212 Voto de pesar Teresa Silva Carvalho182 Kb
Documento em formato application/pdf Agradecimento Voto n.º 099-04 (PEV) e 099-05 (PEV)293 Kb